Conhecida pelo seu canal “SugarRush”, a youtuber e jornalista Fernanda Schmölz, inaugurou seu canal no final de 2015, com foco na temática do mundo geek e cultura pop, porém, seus vídeos foram se moldando em torno do cinema e nas animações. Venham conhecer um pouco mais sobre a Fe.

Como foi o início de sua vida como youtuber e quais foram os principais desafios que encontrou?

Apesar de ter começado o canal no final de 2015, gosto de pensar que a minha vida como youtuber começou bem antes, desde que tive vontade de criar um canal mas achei que não ia conseguir. Eu tinha medo de me expor e ficava me apegando em umas besteiras pra nunca começar, como o fato de que eu não tinha uma câmera onde gravar os vídeos, meu celular era horroroso e eu nem fazia a menor ideia de como editar um vídeo. Por anos ignorei essa minha vontade mas ela nunca deixou de voltar pra mim, até que em 2015 tive a chance de poder viajar pros Estados Unidos. Aproveitei que eu estava indo pros parques da Disney em Orlando – que eu AMO e vivo pesquisando sobre – pra fazer vlogs dando dicas pra quem queria ir pra lá também, e foi assim que eu comecei. O principal desafio acho que foi me convencer de que eu tinha que parar de ter medo de me expor ou de querer começar o canal logo na perfeição com os melhores equipamentos, já sabendo “tudo” e simplesmente começar. Tanto que apesar de ter gravado esses vídeos da viagem em janeiro de 2015, só abri o canal em agosto. Nesses 3 anos que eu tenho o ‘Sugar Rush!’ eu me virei a maior parte do tempo com movie maker e gambiarras e tenho bastante orgulho do material que eu produzi. Apesar disso, o principal desafio MESMO foi me aceitar, arriscar, testar vários tipos de vídeos ao longo desses 3 anos que venho investindo tempo e amor no conteúdo, e, mesmo passando um tempão sem ter o tipo de retorno que eu queria, ter força e coragem pra continuar investindo e gravando, usando todo o meu tempo livre e abrindo mão de várias horas de sono junto com trabalho fora e faculdade. Não é o ideal ter que fazer esse tipo de coisa, não acho saudável nem recomendo, mas foi como deu pra fazer. Me orgulho de ter persistido e de continuar hoje em dia.

De onde veio o nome “Sugar Rush”?

Eu sempre gostei muito de Disney, as animações e filmes deles me acompanharam desde pequena e continuam fazendo parte da minha vida. Quando resolvi tocar o projeto do canal pra frente eu sabia que queria alguma referência a isso, mas não queria nada muito óbvio nem por ‘Disney’ no nome do canal porque isso prenderia muito o tema. Escolhi ‘Sugar Rush’ porque além de ser uma expressão interessante – é aquela onda de felicidade que te dá depois de comer doces – também faz referência a um dos filmes que eu mais gosto, que é Detona Ralph. Sugar Rush é o nome original do Corrida Doce, o jogo da Vanellope. Minha ideia sempre foi tentar trazer alegria ao falar das coisas que eu gosto (ou não gosto) no canal – assim como quando temos uma onda de açúcar – então pareceu um nome apropriado. 🙂

O que a vez optar pela formação em jornalismo?

Desde pequena eu sempre gostei de escrever, sempre fui uma criança com a imaginação livre, especialmente porque fui estimulada a isso em casa. Eu tenho uma irmã quase 5 anos mais nova que eu, por isso eu aproveitei ainda mais a infância, brinquei de bonecas com ela até quase os 15 anos. Eu tive uma infância complicada na escola, com 7 anos eu fui diagnosticada com TDAH e tive bastante dificuldade de me adaptar e principalmente de ficar quieta várias horas com a bunda na cadeira. Meus colegas também me achavam infantil, então eu era ostracizada. Só fui fazer amigos mesmo no ensino médio quando mudei de escola, mesmo com tanto amor em casa eu fui uma criança com um sentimento de solidão bem forte. Eu extravasava criando universos e histórias malucas brincando com a minha irmã e a escrita foi por muito tempo a minha companhia. Professores meus começaram a reparar que eu tinha uma facilidade enorme pra escrever, tudo que envolvesse literatura geralmente eu me destacava. Lembro que a coordenadora do colégio chegou a dizer pra minha mãe que eu tinha muito jeito e que devia fazer jornalismo ou direito. Acabei fazendo jornalismo e teatro, porque eu sabia que eu precisava de algo que me estimulasse, algo que não tivesse uma rotina engessada e por isso optei pelo jornalismo. Acabou que no meio do caminho eu comecei o canal e não tive a chance de trabalhar como jornalista da forma mais tradicional, mas com certeza essa formação me ajuda todos os dias com o canal e nos meus projetos paralelos. Eu nunca me interessei muito por essas profissões mais tradicionais, por isso se hoje eu tenho meu canal, meu público e posso ter o privilégio de viver da minha arte eu sou muito grata e não tomo por garantido.

Com tantas temáticas e gêneros para escolher, o que a fez querer falar sobre desenhos no canal?

Eu comecei o canal falando de cultura pop, mas isso sempre envolveu muito Disney. No início eu postava os zilhões de vlogs informativos que fiz pelos parques em 2015, e desde então tive a chance de viajar pra parques 3x. Uma boa parte do conteúdo acabou virando sobre Disney e Orlando – e mais recentemente pros parques da Califórnia também – mas especialmente nesses intervalos entre viagens em me permiti experimentar de tudo. Falei bastante de cinema e séries, mas Disney sempre me dava mais prazer. No final do ano passado eu tava bem desiludida com tudo, inclusive com o canal porque ele parecia nunca engrenar. Em quase 3 anos eu tava presa pelo que pareceu uma eternidade na casa dos 10 mil inscritos, então comecei a repensar a minha estratégia pro canal e a estudar bastante sobre como funciona o youtube. Percebi que eu precisava restringir a temática do canal, e eu sabia que não daria pra ficar só em vlog de parques até porque não moro fora, então além de não ser uma opção por isso, as views também não eram tão animadoras. Eu via que os vídeos falando de animações costumavam agradar o pessoal que já estava comigo por causa dos vlogs nos parques e resolvi investir mais e tentar fazer algo um pouco mais voltado pra essa área. Em março desse ano eu fiz os primeiros vídeos mais voltados pra animação, sem pretensão nenhuma com número de views, e quando vi eles tavam indo bem melhor do que a maioria do meu conteúdo nesses quase 3 anos de canal. Também me senti bem mais feliz criando esses vídeos, e desde então o Sugar Rush entrou nos eixos. Finalmente sinto que achei o meu lugar, o meu diferencial e a minha forma de fazer vídeos.

Hoje em dia, os youtubers estão procurando cada vez mais investir em projetos fora da plataforma, tanto comercial como de entretenimento. Você já pensou em entrar com algum projeto a parte?

Eu tenho visto muita coisa legal pela plataforma e tenho super vontade de criar algo diferente também, mas por enquanto tô focando mil por cento no canal porque é o momento dele. Só me estabeleci como criadora com relação a tema dos vídeos e estilo do canal esse ano, então a partir de 2019 eu vou me permitir pensar em expandir e fazer outras coisas, mas 2018 decidi que ia ser o ano do ‘Sugar Rush!’ e é isso que eu venho fazendo. <3

Uma das parcerias que o público parece mais gostar no canal é você com a Dear Maidy. Como foi essa colaboração de vocês e como se conheceram?

Quando eu comecei a falar especificamente de animações, os vídeos da Maidy começaram a ser recomendados pra mim. Eu já tinha assistido alguns e sabia quem ela era. Um dia ela entrou em contato comigo se apresentando, começamos a conversar e vimos que temos várias coisas em comum além do canal. Isso foi em junho desse ano. Nossa primeira collab saiu em agosto, e em setembro chamei ela pra fazermos vídeos temáticos no halloween também. A Maidy chamou minha atenção por ser uma pessoa super humilde e fofa, ela já tinha um canal enorme quando veio falar comigo e a forma como ela se aproximou me deixou muito feliz. Dá pra ver que ela quer conhecer outros criadores que também gostam das mesmas coisas e que ela tá mais preocupada com o conteúdo em si do que com números. Isso é bem raro hoje em dia na internet. Eu também procuro levar meu trabalho dessa forma, então acabou sendo uma aproximação natural.

Quais foram suas principais inspirações na plataforma?

Quando eu comecei não tive muito uma inspiração, apesar de curtir vários canais como espectadora. Gosto muito do pessoal do Jovem Nerd, Cinema com Rapadura e da Carol Moreira.

Quais são suas principais metas atualmente?

Continuar fazendo o melhor trabalho possível e permanecer humilde apesar de quaisquer números. Estamos cada vez mais perto dos 100K lá no canal, que sempre foi meu sonho desde que comecei a fazer vídeos. Isso me deixa tão feliz, mas ao mesmo tempo com tanto medo, porque ser um influenciador traz uma grande responsabilidade. Quero continuar sendo sempre verdadeira comigo mesma, com o tipo de vídeos que eu quero produzir daqui pra frente, e principalmente com o público. Sem eles eu não estaria aqui podendo trabalhar fazendo o que eu amo. Tento fazer vídeos que eu gostaria de assistir, tratar as pessoas como eu quero ser tratada e procuro sempre mediar os comentários pra que todo mundo se sinta respeitado e tendo um lugar seguro pra conversar.

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Se você tá numa encruzilhada que parece não ter solução, respira fundo, se acalma e tira um tempo pra você. Às vezes a resposta que precisa vem quando você se afasta e se permite olhar as coisas por um outro ângulo. Arrisque, teste, não tenha medo de errar e persistir, mas principalmente: não tenha medo de saber quando dar um passo atrás pra poder dar dois pra frente no futuro. E se você for ansioso além da conta como eu, respira MAIS fundo ainda. Tamo junto! <3

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