Com uma vasta experiência no universo infantil, a atriz, cantora, produtora e professora Carol Futuro, se tornou um verdadeiro sucesso quando passou a viver a personagem Sissineide na série “Detetives do Prédio Azul” do canal Gloob.

A vaga no elenco que ocorreu por acaso, hoje impulsionou o reconhecimento da artística que se torna destaque também em cima dos palcos cariocas, onde apresenta os espetáculos infantis “Vem Nesse Trem” e “A Gaiola”.

Isolado na cidade de Saquarema pela pandemia da COVID-19, Carol nos contou um pouco sobre como a arte tem mudado sua vida nos últimos tempos, além de falar do amor que recebe do público diariamente. Confira!

Acumulado uma grande experiência no universo infantil, como foi que começou a sua aproximação com esse público?

Desde criança, por volta dos meus 6 ou 7 anos, eu já falava que queria ser atriz. É curioso o quanto trabalhar com o público infantil me faz feliz, me leva de volta aos tempos de um brincar livre e sem compromisso, de descobertas, de frescor. Acho que nunca me afastei muito da infância, o que me manteve sempre aproximada desse universo de curiosidade, de exploradores, de busca por descobrir cada elemento ao redor, como fazem as crianças. A arte cênica é, também, esse lugar de descobertas, de desbravar um novo mundo, o real e o da imaginação, um olhar para cada detalhe pela primeira vez.

Sem dúvidas, um dos seus grandes trabalhos é como a Sissineide da série “Detetives do Prédio Azul” que já está no elenco desde a 7ª temporada. O que esse trabalhou mudou na sua vida, tanto como profissional como pessoal?

O DPA entrou na minha vida de uma forma divertida e curiosa. Eu fui convidada para fazer a preparação vocal do elenco infantil e, durante esse processo, acabei fazendo o teste para o papel da mãe da Sol, e passei.  Foi uma feliz coincidência. Estava no lugar certo e na hora certa, fiz o meu melhor, e rolou! Mudou minha rotina, uma dedicação diferente da que a gente tem num processo teatral. Os tempos são outros, as rotinas de trabalho também. É muito diferente. É muito bom.

Foto: Reprodução/Instagram

Uma curiosidade que soubemos sobre você, é de que você já velejou em algumas competições. Você ainda é amante desse esporte?

Risos… Sim! Eu velejei na minha infância e adolescência. Corri regatas e campeonatos com o barco Optimist. Um barquinho pequeno, onde você veleja completamente sozinho. Foi uma experiência muito enriquecedora. Aprender a observar e respeitar o vento, entender como a natureza pode ser parceira, se você joga junto com ela… Não velejo mais, mas eu remo canoa (remo olímpico), e adoro correr e praticar esportes ao ar livre. Trilhas e caminhadas.

Professora de musicalização infantil, os seus projetos no teatro chegaram a fazer bastante sucesso, como o espetáculo para bebês “Vem Nesse Trem” e “A Gaiola”. Já existem planos para dar continuidade aos seus projetos após a pandemia?

Dou aula desde os meus 16 anos. Adoro estar em contato com alunos, o que se aprende em sala de aula, não tem como mensurar. É desafiador e inspirador. E foi partindo deste universo, de dar aula para bebês, que surgiu o espetáculo “Vem Nesse Trem”, que é um projeto que criei em 2012, pensando especificamente num trabalho, que incluísse bebês pequenos na primeira infância. Acabei escrevendo um espetáculo que dialoga muito com crianças e adultos de qualquer idade.

“A Gaiola” é um espetáculo que eu amo fazer! Uma virada na minha carreira, na minha relação com o palco. Um espetáculo para pessoas de qualquer idade. Não subestimar a inteligência das crianças é o primeiro passo para se criar um projeto que envolva toda a família. Cada indivíduo vai fazer a sua leitura sobre o que assiste, de acordo com sua vivência de mundo.

Os dois projetos estavam com reestreia prevista para março de 2020. Justo no fim de semana em que tudo foi suspenso por segurança, por causa da pandemia. Foram apresentados no formato online, mas, assim que for seguro retomar as atividades presenciais, esses dois espetáculo voltam aos palcos e ao contato com o público.

Foto: Reprodução/Instagram

Durante o seriado, a sua personagem costumava interagir mais com a filha Sol (Letícia Braga) e Severino (Ronaldo Reis). Como é a sua relação com a produção e o elenco da série dentro e fora do estúdio?

Fazer a Sissineide é um presente artístico muito especial. Além de ser meu primeiro personagem no formato de série de televisão, eu ganhei uma equipe que é uma família. Passamos muitas horas no estúdio, e uma boa relação é primordial para se tocar um bom trabalho pra frente. Eu costumo brincar que ter talento é importante, mas lidar com gente legal é mais importante ainda.  E no DPA é assim. Tenho colegas de trabalho muito amados e queridos, relações respeitosas e de cumplicidade. Isso é um presente para qualquer ator. A gente se diverte dentro e fora do estúdio. Convive e conhece as famílias uns dos outros. Um privilégio.

Saiu recentemente na Revista Quem, uma matéria que mostrou como está sendo sua quarentena durante a pandemia da COVID-19 em Saquarema, junto com seu filho e seus sobrinhos. Você notou que por estar em uma série que é ligada às crianças, elas começaram a se aproximar mais, ou não chegou a mudar tanto assim?

Sem dúvida houve uma maior aproximação de crianças. Eu brinco que sou a famosa da porta da escola do meu filho… risos… As crianças reconhecem e acham muito divertido que eu paro pra conversar, respondo às perguntas sobre a série. Eu adoro, mesmo. Conecto-me diretamente com elas… são o motivo desse sucesso, respeito muito esse público tão especializado.

Foto: Reprodução/Instagram

Recentemente, o Brasil chegou a mais uma marca triste em relação ao momento em que estamos passando, que foi a marca de 200 mil mortes. Que mensagem você gostaria de passar as pessoas que estão hoje no país.

O mundo está atravessando esse momento especialmente delicado. O Brasil tem um abismo social que nos coloca numa posição, particularmente, mais sensível neste caos sanitário que todos estamos atravessando. Cada camada social está vivendo uma quarentena diferente. Não podemos esquecer que estamos todos neste mesmo caos, e podemos cuidar muito melhor uns dos outros. Não dá pra não olhar para os lados e colaborar para que cada um esteja em segurança. Numa hora como essa, a gente precisa saber o que é empatia, e saber ser empático.