Após os singles “Runaway” e “Fly Girl Fly”, a instrumentista e produtora musical Thaysa Pizzolato revela o universo completo de seu EP de estreia, “Low Hype Machine”. O primeiro trabalho solo da artista, conhecida por integrar a banda Auri, é uma viagem climática em que as influências de synthwave e retrowave guiam as sensações. O EP está disponível nas principais plataformas de streaming de música.

Pensado como uma trilha sonora, “Low Hype Machine” constrói uma ambiência atmosférica em que os sintetizadores são condutores para um outro universo. A estética oitentista dos timbres dá um tom moderno, e ao mesmo tempo, nostálgico para essa narrativa e remete a filmes e jogos que dialogam com o “futuro do passado” de antigas ficções científicas.  Confira a entrevista!

Após o lançamento de alguns single, o público recebeu recentemente o EP “Low Hype Machine”. Como foi a produção desse projeto? Conseguiu suprir suas expectativas para o lançamento?

A produção do LHM e gravação foi feita toda aqui em casa. Durante a pandemia, com menos gigs, aproveitei pra organizar um home studio aqui no apê. Liguei meus teclados e synths todos e comecei a gravar umas tracks. No início a ideia foi gravar para uns conteúdos no instagram, mas daí foi evoluindo e decidi transformar tudo no EP. Foi de muito aprendizado, principalmente por ser um trabalho todo instrumental. A concepção foi de um trabalho de trilha sonora e produção, até mais que um trabalho como “artista”. O feedback tem sido bem legal e diverso.

Conhecida por integrar a Banda Auri, esse é seu primeiro trabalho solo. Essa experiência tem te ensinado algumas coisas novas em sua carreira?

Tenho estudo muito, principalmente sobre produção. O LHM foi o primeiro experimento desse estilo musical que tenho escutado muito, o Retrowave. A gente vai aprendendo dia a dia, fico feliz em poder expor essas vibes criativas.

Foto: Bernardo John

O novo álbum tem a proposta de trazer uma fusão entre as influências do synthwave e retrowave que servem de guia para as sensações. O que a levou a chegar nessa combinação de estilos?

É um estilo que veio crescendo em mim. Quanto mais fui escutando, mais ficava vidrada nele. Acho que esse primeiro trabalho é influência dessa admiração pelas composições instrumentais e arranjos de sintetizadores.

Uma das tendências que também tem sido explorado é o estética oitentista dos timbres que promove um tom moderno e nostálgico ao mesmo tempo. Para os que não estão muito familiarizados com esse estilo, poderia nos explicar um pouco mais sobre ele?

O Retrowave, na sua essência, é “exagerado”. E isso vai da estética até nos timbres. É sobre um futuro do passado, ou um passado do futuro..algo por aí. Os timbres, muitos, são oitentistas, mas a produção tem uma vibe mais moderna. Essa fusão que dá a personalidade do estilo.

A curiosidade de tracklist desse álbum é a combinação das músicas sendo construídas como uma trilha sonora, como se cada música abrangesse um cenário de um filme. Em que foi inspirado essas composições?

O projeto começou com a gravação da primeira faixa, “Mayday”. A partir dela tentei construir uma narrativa interna. As música se conectam dentro do EP, com momentos de intensidade e momentos mais introspectivos. Como é instrumental, acredito que cada música passe uma sensibilidade diferente para quem está ouvindo, mas tentei manter uma unidade na atmosfera de todas as músicas.

Foto: Bernardo John

No YouTube e nas plataformas, cada faixa ganha uma ilustração diferente de grandes centros urbanos do artista Enzo Salviato. Como foi trabalhar com esse material?

O Enzo é um mago das edições, sou fã! Achamos que o som tinha uma vibe urbana, meio caótica. Tentamos explorar pra esse lado, com o uso de cores mais fortes e uma edição mais “suja”. O conceito visual traz as músicas pra uma atmosfera poderosa.

A produção do projeto também já traz alguns nomes conhecidos como Bernardo John e Everton Radaell que produziu a capa. Conte um pouco sobre O trabalho em conjunto de vocês?

A gente brinca que a Auri, além de banda, também é uma “firma”. A gente converge vários trabalhos, em vários núcleos. Volta e meia eu e John gravamos juntos, em trabalhos diferentes, mesma coisa com o Ton, tanto musicalmente quanto na parte das artes, que ele manda muito bem.

Para terminarmos, a última curiosidade que gostaríamos de saber é sobre a origem do nome “Low Hype Machine”.

Esse nome foi escolhido depois de um caderno inteiro rabiscado com vários nomes ruins. Escolher nome é uma das coisas mais difíceis dessa vida? (risos) Mas é um nome um pouquinho irônico, uma brincadeira com o “Hype”. O Machine foi uma escolha pra fazer alusão ao estilo, bem no estereótipo.

Ouça “Low Hype Machine”: https://smarturl.it/LowHypeMachine