No último single antes de seu novo álbum de estúdio “Salineiras”, o cantor e compositor carioca Pedro Mann transforma em canção as revoluções internas que acontecem ao se apaixonar. Falando dos encontros e desencontros que causam paixões repentinas ou duradouras, “Faz Tempo” foi produzida por Rodrigo Vidal (Marisa Monte, Maria Gadú, Paulinho da Viola) e está disponível nas principais plataformas de streaming de música, além de ganhar um clipe.

Conhecido por projetos como o Bondesom, Pedro é um baixista requisitado na cena musical, já tendo dividido o palco com Gilberto Gil, Roberta Sá, Forróçacana e Geraldo Azevedo. Seu primeiro disco solo foi lançado em 2013. “O Mundo Mora Logo Ali” trazia canções autobiográficas e tratava de questões interiores.

No seu segundo lançamento, “Cidade Copacabana” (2016), Mann olhava para o entorno em canções urbanas que remontam ao imaginário de um bairro com dimensões de cidade, onde passou a infância e escolheu voltar. No próximo mês, ele lança “Salineiras”, seu novo álbum de estúdio. Enquanto isso, o single “Faz Tempo” já está disponível para streaming.

No último single que você produziu para seu novo álbum intitulado “Salineiras”, você tocou no tema sobre as revoluções que ocorrem ao se apaixonar. Como foi a inspiração e o processo de produção dessa música?

Nessa música me inspirei nas transformações que a potência de um encontro podem proporcionar. Sobre como uma paixão faz a maré virar em nossas vidas. A faixa foi gravada pela banda que me acompanha há muitos anos (eu no baixo e voz, Pedro Silveira na guitarra, Ricardo Rito no teclado e Carlos Sales na bateria) e produzida pelo Rodrigo Vidal. A gente estava aqui no estúdio em que mantenho na minha própria casa experimentando umas coisas e me veio a ideia desse naipe de metais. A frase “baixou” pra mim e gravei ela na hora. Depois chamei os sopros pra executar (trompete, trombone e sax tenor).

A previsão de chegada do projeto é para o mês de novembro. Como está a sua expectativa para o lançamento?

Estou bem feliz com o lançamento desse álbum. Ele representa muito pra mim pois tem canções recentes e muito antigas. A própria faixa título é uma música que fiz com 22 anos e nunca tinha gravado, tenho um carinho enorme por ela. O disco fala sobre esse afeto, essas músicas significam muito pra mim. Além de ter gravado instrumentos que amo como bandolim, clarone, quarteto de cordas. O disco demorou muito para ser feito e agora sairá no tempo certo.

Para quem ainda não o conhece, poderia nos contar um pouco mais sobre seu relacionamento com a música?

Minha mãe é professora de música, então a coisa meio que veio de berço. Mas ela não foi minha primeira professora, com 8 anos me colocou na aula de piano – que foi meu primeiro instrumento. Depois ela me ensinou violão e com 15 anos montei minha primeira banda tocando baixo. Lá já escrevia algumas canções pra banda. Depois comecei a ser contratado para acompanhar alguns cantores como baixista nas suas turnês. Nessa época tive a alegria de dividir o palco com grandes nomes como Gilberto Gil, Roberta Sá e Geraldo Azevedo. Em 2002 fundei minha banda instrumental e dois anos depois ingressei na UNI Rio no curso de Bacharelado em MPB. Em 2012 resolvi colocar minhas canções no mundo e lancei meu primeiro álbum: “O Mundo mora logo ali”. De lá pra cá essa história não parou mais…

Foto: Fernando Young Brasileiro

“Faz Tempo”, nome da nova música, foi produzida pelo Rodrigo Vidal, que já fez trabalho com outros artistas consagrados como Marisa Monte, Maria Gadú e Paulinho da Viola, além do Renan Salotto, que dirigiu o clipe. Como foi trabalhar nessas parcerias?

Foi maravilhoso. O Rodrigo conheci há pouco tempo e já nos identificamos de cara. Ele tem muita sensibilidade e é um excelente produtor musical. Fez toda a diferença não só em “Faz Tempo”, como no disco inteiro. O Renan é um parceiro de longa data. Ele fez a capa do meu segundo álbum e já tinha expressado a vontade de dirigir um clipe meu. Que bom que a oportunidade acabou aparecendo e o resultado ficou maravilhoso.

O clipe da música foi feito com cores pastéis, flores e frutas. Conte-nos um pouco sobre a elaboração do clipe e qual ideia você quis passar no vídeo?

A ideia do clipe foi tentar mostrar como é esse processo de estar apaixonado, de tentar se aproximar de alguém, desse jogo de sedução. Entre querer algo mas ter que construir alguma coisa pra de fato chegar aos finalmentes. O clipe fala sobre essa crescente, sobre se apaixonar, querer algo. Na narrativa visual nós temos um cenário muito romântico, com frutas que fala sobre todos os sabores desse processo de gostar de alguém. Escolhemos os tubos, que fala um pouco sobre essa vontade que se encha até transbordar e não aguentar mais.

As relações passaram a ser uma temática muito abrangente em seus trabalhos. Como é a sua ligação com esse assunto e quais são suas experiência que você traz da sua vida para as composições?

Eu sou um cara que gosta de se relacionar, gosto de gente. Quando o assunto é escrever as letras tudo pode virar inspiração: Um sonho, um livro que li, um filme que assisti. Porém o que mais me influencia são minhas vivências mesmo, não há como escapar. Geralmente quando vivo emoções intensas eu escrevo mais. Ao começar ou terminar um relacionamento, ao me mudar de casa ou no nascimento ou morte de alguém próximo. Esses “picos” de alegria ou tristeza me fazem pegar o papel, a caneta e o violão.

Foto: Fernando Young Brasileiro
Considerado um baixista muito requisitado no cenário musical. Como funciona a sua agenda e o seu amor pelo instrumento? Quais foram os shows mais memoráveis?
A agenda funciona de acordo com as demandas dos artistas que trabalho e também dos shows da minha carreira solo. Vou me equilibrando e tentando encaixar tudo direitinho. Eu amo tocar baixo, a conexão com a base rítmica da música, esse pulsar mântrico é gostoso demais. Lembrei de três shows históricos que estava atuando como baixista: Forróçacana com participação de Geraldo Azevedo na Fundição Progresso, Nicolas Krassik com participação do Gilberto Gil no Circo Voador e Roberta Sá com participação da Sandra de Sá no teatro Rival. Todos eles ocorreram aqui no Rio de Janeiro.
O seu primeiro disco solo foi lançado no ano de 2013, há sete anos. Qual balanço que você faz daquela época para os dias de hoje na sua carreira?
Sinto que estou bem mais maduro, mais consciente do que quero pra mim e das escolhas estéticas para meu trabalho. Gravar discos é um exercício de se escolher, desde as letras e melodias até o arranjo, a capa e a foto. O balanço é muito positivo, sou um artista mais calmo e tranquilo, e me conheço mais artisticamente. 
Tirando o seu projeto atual do álbum, quais são seus próximos planos?
 
Já estou gravando meu quarto disco. Essa pandemia me inspirou a fazer muitas músicas novas. Esse disco eu mesmo estou assumindo a produção e tô gravando no estúdio que mantenho aqui na minha própria casa. Me sinto empolgado com esse novo projeto.