Indie rock, alternativo, riffs e sintetizadores se encontram na sonoridade da Auri, expoente do cenário autoral de Vitória (ES). E a intensidade das canções da banda ganha uma nova roupagem em “Ao Vivo no Estúdio Mantra – Formemus 2020”, seu novo EP, onde revisita destaques de sua discografia. O registro está disponível no YouTube e em todas as plataformas de streaming.

Como o nome do projeto antecipa, o álbum foi concebido como um showcase para o conceituado Formemus, evento de formação do mercado musical, e foi realizado com equipe reduzida e poucos ensaios, por segurança. O desafio da gravação em formato inédito rendeu uma apresentação intensa e com cara de show ao vivo – mesmo seguindo os protocolos de distanciamento social do público que a atual pandemia exige.

Formada atualmente por Everton Radaell (voz e guitarra), Thaysa Pizzolato (teclado e sintetizador), Danilo Galdino (guitarra e backing vocal), Bernardo John (baixo e backing vocal) e Bruno Miranda (bateria), a banda capixaba Auri apresenta lançamentos consistentes desde 2016. O quinteto traz na discografia o álbum “Resiliência” (2017) e os singles “Futuro” (2016) e “Quintal” (2019).

Tudo isso culminou no Formemus, evento que já se tornou referência no país e para o qual a Auri teve seu showcase selecionado juntamente com outros quatro – dos quase 300 inscritos, do Brasil e também da Argentina. O lançamento do EP ao vivo celebra essa jornada com momentos de todas as fases da discografia da banda e encerra um ciclo para abrir as portas para o novo momento do projeto. O grupo planeja uma série de lançamentos para os próximos meses, onde mostrará novas texturas sonoras.

“Ao Vivo no Estúdio Mantra – Formemus 2020” está disponível em todas as plataformas de streaming de música.

Ganhando uma nova roupagem com o novo EP “Ao Vivo no Estúdio Mantra – Formemus 2020”, o projeto revisitou destaques de sua discografia. Como foi fazerem essa volta no tempo e como foram os detalhes da produção?

Thaysa: A gente ficou muito feliz em ser uma das bandas/artistas selecionadas para apresentar um showcase na edição online do Formemus neste ano. Tivemos que fazer uma escolha mais certeira, por ser um tempo de live mais curto. Por isso escolhemos as 4 músicas que sentimos representar melhor a sonoridade da banda e que ao vivo o público chega junto com a gente. Infelizmente a gravação não teve público presente, por conta da pandemia e desse ano difícil que estamos vivendo, mas deu pra matar um pouquinho da saudade que estamos de fazer shows. Apesar de todos os desafios pra realizar essa gravação, foi ótimo poder contar com amigos que nos ajudaram e também foi bem legal rever a banda toda. Quando nos reunimos pra ensaios no Estúdio Mantra e pra ver os primeiros detalhes do showcase, fazia muito tempo que a gente não se via.

Foto: Divulgação

Considerados uma mistura de indie rock com um estilo alternativo, como classificariam as musicas de vocês, e que mensagens você gostam de passar através dessa arte?

Ton: Nós ouvimos muitas coisas diferentes e, apesar de rótulo ser necessário pra conseguirmos catalogar ou conceber melhor o entendimento sobre algo, nós enxergamos e ouvimos música como algo sem fronteiras. O mesmo acorde que você ouve num jazz, pode ser usado em uma música pop, por exemplo… Na arte não tem regras, então, considerando isso tudo, posso dizer que a Auri seria uma banda de rock alternativo com influência de todos os outros estilos musicais que estamos escutando no momento.

Sobre o que tentamos passar através da Auri, falando como letrista, vai muito de encontro com a forma com a qual eu enxergo e lido com a arte. Eu gosto quando uma obra (Seja uma música, um filme, um seriado, um jogo, um livro…) ela é acessível e tende a trazer alguma mensagem positiva e agregue em algo. Arte por arte é válida, mas eu costumo dizer que se a vida fosse uma casa, a arte seria suas janelas, é através dela que conseguimos ter um respiro e enxergar além! Ela é uma ferramenta poderosíssima quando canalizada com esse propósito de passar e reforçar alguma mensagem ou emoção, então sempre buscamos que nossas musicas tenham letras acessíveis e que passem algo positivo e agregue a quem for recebê-las.

Produzido em um showcase para o conceituado evento Formemus, focado na formação do mercado musical. Como foi fazerem parte desse evento, ainda mais contando com poucos ensaios e uma equipe reduzida?

Thaysa: Desde o momento que recebemos a ligação da equipe do Formemus nos convidando até a hora da gravação, não paramos de fazer planejamentos pra que tudo ocorresse da melhor forma possível. Foram poucos encontros até o dia da gravação pra ensaios e ajustes no estúdio e contamos com uma equipe reduzida, algo que fosse o mais “minimalista” possível. O desafio foi grande, mas no final ficamos contentes com o resultado, todo o esforço valeu a pena. Ter recebido esse convite da Formemus foi sensacional. Bate a sensação de um trabalho reconhecido e dá bastante ânimo para os próximos passos. A gente queria muito fazer um registro ao vivo, graças a esse convite a gente conseguiu viabilizar essa gravação no Estúdio Mantra, aqui em Vitória.

Foto: Divulgação

Ainda sobre a gravação, quais foram os principais desafios que esse novo formato que acabou rendendo uma intensa apresentação?

Thaysa: O formato em si de fazer uma “live” é bastante desafiador. Estamos acostumados a show, público… Aquela “bagunça” que a gente ama. Nunca tínhamos feito uma gravação ao vivo completa assim em estúdio. Aprendemos muito durante o processo. E por conta de todo o cenário que estamos passando, tudo foi elevado ao nível máximo nos desafio, desde ensaios até a logística pra conseguir equipamentos e reunir uma equipe que permitisse ser possível essa gravação numa qualidade legal.

Formado por cinco integrantes, poderiam nos contar um poucos mais sobre como se conheceram e como foi a ideia de formarem a banda?

Thaysa: A banda já teve algumas várias formações. Eu fui entrar na banda um pouco depois e conheci todo mundo a partir daí. Quem deu início a tudo foi o Everton e o Kanela, que já de conheciam há algum tempo. Isso foi lá por meados de 2013. Eles tinham essa ideia de  montar algo que abrangesse vários estilos, várias linguagens musicais. A banda teve a primeira formação fixada só em 2016, quando lançamos o single “Futuro”. Ano passado o Gabriel Hand se mudou para São Paulo e Bernardo John entrou no baixo. Mas agora é essa formação pra eternidade! (hahaha)

O que os levaram a escolherem o nome de AURI? Quem puxou a ideia primeiro?

Everton: O nome Auri foi escolhido na nossa primeira formação, há muito tempo, Quando montei a ideia da banda, eu pensei que seria legal se o nome do projeto tivesse uma sonoridade universal (que fosse uma palavra que não soasse americanizada, por exemplo). E que fosse algo curto (com 4 letras no máximo), porque assim seria mais fácil de lembrar e assimilar.

O nosso primeiro baixista, o Elyrrandro, chegou com esse nome “Auri”, que do latim significava ”Ouro”. E desde o início tínhamos essa vontade de tentar chegar em uma sonoridade que misturasse estilos musicais diferentes, onde pegaríamos o que era mais legal pra gente de cada estilo e os uniria, até chegar em um estilo novo. E o ouro tinha essa ligação com os alquimistas. Tradicionalmente ele era considerado o metal mais nobre, então os mesmos tentavam transmutar metais inferiores até transformá-los em ouro, tendo essa busca pela perfeição e mutação do estado natural e original daquilo.

Realizando lançamentos desde 2016, como os singles “Futuro”, “Quintal” e o último álbum chamado “Resiliência” de 2017. Como vocês avaliam o avanço profissional do quinteto de um EP para o outro?

Thaysa: A banda vai amadurecendo e isso é legal vivenciar. Todas as experiências individuais de cada um acaba refletindo na banda também. Vamos crescendo enquanto musicistas, enquanto profissionais, enquanto amigos…acho que é o ciclo natural. Poder viver isso perto de pessoas que você admira é uma experiência singular. Tentamos levar tudo no seu tempo, sempre tentando crescer um passo de cada vez. Acho que essa calma, por assim dizer, nos dá tranquilidade e confiança pros passos seguintes. Sonoramente a banda vai explorando outros universos. Hoje estamos experimentamos novos caminhos sonoros, passando por novas possibilidades.

O lançamento desse novo EP, vem para marcar o fim de uma era e o começo de uma nova fase na trajetória da banda, visando abrir abrir novas portas. O que podemos esperar de vocês para o futuro e quais são as suas previsões?

Thaysa: Vem muito material novo por aí. O novo disco já está numa fase bem legal de produção. A verdade é que a gente não vê a hora de botar isso tudo no mundo. Sentimos que sonoramente a banda mudou desde o último lançamento, “Quintal”, e vai ser bem legal por explorar isso. Pra quem curte a banda, em breve essa saudade vai diminuir.