Diagnosticado como ninfomaníaca aos nove anos de idade, ainda na escola, Rafaela Cavalcanti conseguiu a façanha de poder utilizar os seus sentimentos e gosto pelo assunto em algo produtivo não só para sua vida, mais para a vida de mais de 350 mil pessoas que acompanham seu conteúdo pelo canal “0-Tabu” no YouTube.

Desde 2017 no ar, os vídeos contam com dicas e curiosidades a respeito dos assuntos que muitos procuram esconder e não admitir que passam por algumas situações que são ligadas a sexualidade humana. Diferente do que muitos podem pensar, o canal traz uma material bastante informativo e de entretenimento, que toda sexta-feira traz algum bate-papo novo com a youtuber. Com 23 anos, Rafaela compartilha aos poucos momentos de sua vida junto com os fãs e seguidores no Instagram, mostrando que a vida tem muito mais para mostrar do que o preconceito e a ideia banal que muitas vezes temos em relação ao assunto. Confira a entrevista e tente abrir mais a mente sobre esse assunto que é bastante comentado e ao mesmo tempo tão oculto!

Desde 2017, você começou a fazer o canal “0-Tabu” no YouTube, onde apresenta diversas situações e procura levar informações sobre a sexualidade humana. O que a levou a criar o canal, e como é usar o YouTube para abordar um tema que muitas vezes é considerado polêmico pelas pessoas?

Comecei o canal porque percebi vendo uma postagem no Facebook que as pessoas tinham zero informação sobre orgasmo feminino. Então fiz um vídeo falando sobre o assunto, mas sem a intenção de continuar com o canal. Então apenas após a postagem, as pessoas pediram para eu continuar e eu continuei. Então a partir do 6° mês se não me engano que comecei a postar com frequência. Para mim, não tem problema nenhum falar sobre um assunto polêmico porque o que importa é falar sobre algo que eu tenho conhecimento.

Foto: Reprodução/Instagram

Recentemente houve um caso, onde foi relatado por você no Instagram, que vários usuários passaram a agredi-la verbalmente em fotos que estavam em seu perfil. Porque acha que em pleno 2020 ainda existe preconceitos ligados a sexualidade e qual acredita ter sido o motivo dos ataques? Já foi tomada alguma providência contra os usuários?

Corrigindo, não comecei a ser atacada recentemente. Sou atacada desde o início do canal. Nunca me importei com isso, pois sabia que começando qualquer coisa na internet independente do assunto se eu tivesse algum tipo de sucesso eu seria atacada. Recentemente começaram a incomodar pessoas que convivem comigo ou que apenas aparecem em fotos comigo e isso eu não aceito, pois ninguém tem nada a ver com o meu trabalho e não merecem serem atacados por isso. A única medida que tomo é exposição de perfil e bloqueio logo após.

Uma questão em que chegou a ir a rede nacional, foi no SuperPop da RedeTV, onde contou que ainda aos nove anos de idade foi diagnosticada como ninfomaníaca. Como foi essa fase na sua vida?

Acredito que esse momento foi muito mais difícil para minha “mãe” (na verdade é a minha avó quem me criou) do que para mim. Imagino que foi muito complicado para ela entender, aceitar minha posição de querer continuar dessa forma, e lidar com o preconceito de outras pessoas (no caso quando cheguei à adolescência). Para mim não fez diferença alguma.

Foto: Reprodução/Instagram

Quais são as maiores dificuldades em se comentar sobre o sexo na internet? Você já teve algum medo em se expor através do canal?

Nunca tive esse tipo de dificuldade. A não ser na infância que eu era muito tímida para falar sobre. Assim que fiz 12 anos, eu já era muito aberta sobre o assunto, e isso só foi ficando mais tranquilo com o tempo. Ainda tem questões sobre a minha vida que nunca falei sobre por serem momentos muito importantes e que acho mais interessante colocar em um livro. Mas tirando isso eu gosto demais de falar sobre o que mais amo para outras pessoas. E ter pessoas que me admiram por isso é incrível.

Como o próprio nome já diz, o “0-Tabu” trata de comentar assuntos que muitas pessoas têm vergonha ou procuram esconder por diversas situações. Você acredita que o trabalho nos vídeos possa estar ajudando outras pessoas a se encontrarem melhor e pararem de ter vergonha dos seus hábitos? Já houve alguns feedbacks?

Todos os dias recebo muitas mensagens sobre algum tipo de mudança que o canal fez na vida de alguma pessoa. Isso me deixa muito feliz e assustada às vezes, porque já vi muitos relacionamentos acabarem por isso também. E não sei se essa é bem a minha intenção.

Foto: Reprodução/Instagram

Voltando ao conteúdo do canal, existem várias sagas separadas em playlists de vídeos, onde são abordados diversos assuntos, incluindo fetiches e orgasmos. Para elaborar esses conteúdos, é feito algum estudo científico ou opiniões na internet? Como é o seu processo de criação, e o que é filtrado?

Os vídeos sobre orgasmo são todos baseados em estudos, pois é um assunto complexo. Sobre fetiches, muitos são minhas próprias vivências dentro desses fetiches e outras vivências de pessoas que conheço e que praticam.

Sobre a questão do preconceito, o seu canal não é o único a falar sobre sexualidade na plataforma, e infelizmente existem hoje na internet preconceitos para todos os temas. Qual você acredita ser o principal causador desses problemas e o que precisa ser mudada para que a rede possa conviver em harmonia?

Sinceramente, acho que a maior parte do preconceito (relacionado a qualquer situação) vem da ignorância. Então quanto mais a pessoa é ignorante e sem informação, mais preconceito ela vai ter sobre tudo. Mas por incrível que pareça, os vídeos que recebo mais haters são os vídeos que estou feliz. Por exemplo, quando falo sobre meu relacionamento, quando viajo para algum lugar muito legal, quando conto alguma situação que vivi e gostei muito. As pessoas não se conformam como as outras podem ser felizes e elas não. Acho que isso é a principal causa.