Alguns já nascem com o dom, e outros desenvolvem através da vida. O humorista canadense Miguel Rivas iniciou sua carreira como ator e comediante através da influência de seu irmão Freddie, e em poucos anos tornou-se conhecido no Canadá através do programa “The Beaverton”, um programa em formato jornalístico, onde ao lado da também apresentadora Emma Hunter, as notícias são contadas através de sátiras, fazendo uma mistura de informação e humor. De acordo com o IMDb, as performances no programa já o renderam indicações ao Canadian Screen Award em 2018.

Aproveitando sua entrevista no Brasil, Miguel contou um pouco sobre a comédia stand-up, que apesar de não se sentir muito atraído pelo estilo de apresentação, é algo que tem muito conhecimento, além de dar sua opinião sobre a comédia brasileira, indicando Carol Zoccoli como uma de suas referências no Brasil. Zoccoli é lembrada por ter participado da versão brasileira do famoso “Saturday Night Live” na RedeTV!.  Confira a entrevista com Miguel!

Some are born with the gift, and others develop through life. Canadian humorist Miguel Rivas began his career as an actor and comedian under the influence of his brother Freddie, and in a few years he became known in Canada through the program “The Beaverton”, a program in journalistic format, where alongside the presenter Emma Hunter, the news is told through satires, making a mixture of information with humor. According to IMDb, performances on the show have already earned him Canadian Screen Award nominations in 2018.

Taking advantage of his interview in Brazil, Miguel told a little about the stand-up comedy, which despite not being very attracted by the presentation style, is something he has a lot of knowledge about, in addition to giving his opinion on the Brazilian comedy, indicating Carol Zoccoli as one of its references in Brazil. Zoccoli is remembered for having participated in the Brazilian version of the famous “Saturday Night Live” on RedeTV !. Check out the interview with Miguel!

Para quem ainda não conhece o Miguel, poderia nos contar um pouco sobre seu trabalho como ator?

PT: Sou ator, escritor e produtor aqui em Toronto, no Canadá. Estudei atuação na universidade e comecei fazendo comédia ao vivo, onde fiquei por alguns anos, e então acabei fazendo a transição para a televisão.  Já fiz várias comédias, mas provavelmente sou mais conhecido pelo programa de notícias satíricas “The Beaverton”.

EN: I am an actor, writer and producer based in Toronto, Canada. I studied acting in university and started by doing live comedy for years, and then I eventually transitioned to television. I;ve done a lot of various comedies but am probably best known for the satirical news show, “The Beaverton”.

As artes cênicas nos dão várias opções de atuação, mas o que o fez desenvolver o gosto pela comédia? É um gênero considerado difícil no teatro?

PT: Sempre gostei de comédia, desde criança. Acho que é muito difícil fazer com que a comédia pareça fácil. Meu irmão Freddie realmente começou a fazer comédia antes de mim, e eu o segui. Em Toronto, sempre houve palcos nos quais você poderia atuar todas as noites, se quisesse, então era mais acessível do que outras formas de teatro.

EN: I’ve always enjoyed comedy, ever since I was a little kid. I think it’s very hard to make comedy look easy. My brother Freddie actually started doing comedy before I did, and I followed him. In Toronto, there were always stages you could perform on every night if you want to, so it was more accessible than other forms of theatre.

Foto: Reprodução/Instagram

Uma das suas obras mais conhecidas é “The Beaverton”, que satiriza notícias reais em formato de telejornalismo. Como funciona esse processo de escrita e como é compartilhar a apresentação com Emma Hunter?

PT: A equipe de redatores era bem grande, cerca de 12 pessoas. Foi muito divertido. Basicamente, pegávamos as notícias de última hora e descobriríamos nosso ângulo sobre elas. Compartilhar a tela com Emma é uma explosão. Nós nos mantivemos atentos e rimos durante todo o processo.

EN: The writing team was actually pretty large, about 12 people. It was a lot of fun. We basically would take big breaking news, and find our angle on it. Sharing the screen with Emma is a blast. We kept each other sharp and were laughing the entire process.

Além de sua aparição na televisão, você também está interessado em atuar com stand-up nos teatros? Como é improvisar na hora uma situação que não estava prevista?

PT: Nunca me senti particularmente atraído por comédia stand-up. Eu realmente sinto que essa é uma vocação específica para as pessoas que acabam fazendo carreira a partir disso. Sempre preferi a comédia de esquetes e a comédia improvisada porque era mais perto de atuação. Eu sou um grande fã de comediantes de stand up.

EN: I have never been particularly drawn to performing stand-up comedy. I really feel that that is a specific calling for the people who end up making careers out of it. I always preferred sketch comedy and improvised comedy because it was closer to acting. I am big fan of stand up comedians though.

Foto: Reprodução/Instagram

Não sei se você conhece a comédia brasileira, mas quais são as diferenças que você vê na comédia canadense em relação à programas de outros países? Cada ator cria seu próprio estilo?

PT: Eu conheço uma comediante brasileira que se mudou para o Canadá, a Carol Zoccoli. Ela é incrível e muito engraçada! É difícil entender todos os detalhes da comédia em português para mim, mas eu gosto muito. Parece ainda mais bobo do que a comédia canadense! Cada ator definitivamente cria seu próprio estilo. Eu, por exemplo, tento misturar minha comédia com atuação séria, para surpreender o público.

EN: I know one Brazilian comedian who has moved to Canada named Carol Zoccoli. She’s amazing and so funny! It’s hard to understand all the details of comedy in Portuguese for me but I enjoy it very much. Seems even sillier than Canadian comedy! Each actor definitely creates their own style. I for instance try to mix ny comedy in with serious acting, so that it surprises the audience.

Você acredita que os estudos de teatro são importantes?

PT: Não acho que sejam totalmente necessários, porque é difícil garantir que qualquer tipo de ensino funcione. Atuar é definitivamente uma jornada pessoal. No entanto, cresci muito com o meu treinamento e não seria o ator que sou hoje sem ele. Acho que você tem que aprender o que puder de qualquer instrução, desde que funcione para você, mas também perceber que a verdadeira atuação vem da experiência de vida.

EN: I don’t think that they are completely necessary, because it’s hard to guarantee that any style of teaching will work. Acting is definitely a personal journey. However, I grew a lot out of my training and I wouldn’t be the actor I am today without it. I think you have to take what you can from any instruction, as long as it works for you, but also realize that real acting comes from life experience.

Foto: Reprodução/Instagram

Quais são suas maiores inspirações nas artes cênicas? Você já pensou em poder trabalhar em outros países, como o Brasil?

PT: Eu adoraria viajar para trabalhar. Obviamente, a pandemia tornou isso difícil no momento, mas é definitivamente um sonho meu. Minha maior inspiração é principalmente uma grande comédia de esquetes do passado, como Monty Python, Mr. Show with Bob and David e meu favorito de todos os tempos, os queridinhos canadenses Kids in the Hall.

EN: I would love to travel to work. Obviously, the pandemic has made this difficult in the moment, but it is definitely a dream of mine. My biggest inspiration is mostly great sketch comedy from the past like Monty Python, Mr. Show with Bob and David and my all time favourite, Canadian darlings Kids in the Hall.