Como foi a ideia inicial da Villa Urbana e como foram as primeiras lojas?

Já estávamos vendendo roupas “tipo sacoleiros” para alguns amigos, familiares, amigos dos amigos, pq uns indicavam para os outros, com o passar do tempo já estávamos repassando roupas para algumas outras pessoas revender e logistas tb. Quando a Luana viu uma loja na Rua do Orfanato (Vila Prudente), foi oferecer roupas para a dona para revenda, a mesma informou que não estava mais comprando e que por motivos pessoais teria que encerrar a loja, então estava passando o Ponto. Esse já era o desejo no coração do Edgar, um sonho de muitos anos e Luana sabia disso, então ela respondeu para a moça: _ Não temos condições, mas é o Sonho do meu marido e ele é meio doido rsrs, então vou conversar com ele e retorno. Deu tudo certo!

No começo, os proprietários já tinham experiência como lojistas? Quais foram os desafios encontrados no começo do negócio?

Não tínhamos experiência nenhuma como logistas, na época nós dois éramos bancários, Edgar já tinha trabalhado em um final de ano como extra na C&A, e Luana vendia doces e bijuterias no antigo emprego, mas nada comparável à experiência de tocar uma Loja.

Hoje em dia, o mercado varejista têxtil está em constante expansão com diversas marcas surgindo. Como a Villa Urbana está conseguindo se diferenciar das demais redes?

Em nossas lojas físicas e on line fazemos cadastros de todos os nossos clientes, enviamos semanalmente novidades, promoções e oportunidades. Também damos muita importância ao atendimento, pois hoje sabemos que mercadoria é só mercadoria, os clientes realmente voltam pq gostam de ser bem atendidos.

Fazemos vendas pelo watszap e entregamos no mesmo dia na casa do cliente. Premiamos nossos Gerente e Equipes com premiações mensais para motivá-los, tratamos nossos colaboradores com extremo respeito e consideração.

Edgar sempre está muito antenado às novas tendências e moda, acompanha todas as marcas que trabalhamos, as concorrentes, as marcas novas que surgem e estamos sempre nos reinventando.

Como são os estudos que a empresa faz para conseguir seguir as tendências que a moda impõe, e como funciona a equipe criativa?

Sobre A Villa Urbana como um grupo estamos sempre atento às marcas que trabalhamos e o que esta pedindo o mercado, acompanhamos às tendências, mas também ao que estão usando no momento, por que não adianta na hora do varejo estarmos atentos só à tendências, derrepente à coleçãoes muito futuristas, mas que ainda não são praticados nos dias de hoje. Pois no passado compramos de algumas Marcas que tinham produtos que lançaram tendências, mas que na verdade só virou moda 01 ano ou 01 ano e meio depois e neste período ficou em estoque. Hoje analisamos tendências & o que se usa no Brasil no momento.

Já para as nossas Marcas usamos muito como referência da parte do Leste Europeu, gostamos muito da Moda da Turquia e também antenados na moda Asiática que é referência para o Mundo inteiro, sem deixar de Constar claro, pois não tem como falar de moda e não falar dos Estados Unidos, que é o Centro do Comercio, do Capitalismo e moda usual mesmo, tiramos isso tudo como inspiração para criar e produzir. Baseado nisso, nossa equipe, senta e cada um dá sua ídeia em cima destas referências agente desenvolve os nossos produtos, porém, sempre com nossa identidade, nossa DNA e visando nossos clientes que são Brasileiros.

O que motivou os donos a desenvolveram mais a paixão pela moda? Como foi a participação de Luana, casada com Edgar no apoio para que a loja nascesse?

Ambos desde novos, sempre gostaram de moda, andavam bem arrumados e tinham seus estilos próprios. Edgar era mais antenado à Marcas e etc e Luana gostava muito de se vestir bem. Edgar trabalhando no Banco já vendia roupas e já estavam juntos, se casaram e Luana logo engravidou, Edgar já tinha um filho de 06 anos, o Caio, então, mesmo os dois trabalhando as contas estavam muito justas, quando Luana saiu de licença maternidade, teve a ideia de começar à vender para ajudar o marido e consequentemente à renda da casa, sua irmã e cunhado, Samara e Adriano na época faziam adesivos para as agências de automóveis da famosa AV. Anhaia Melo e indicaram alguns de seus clientes para comprar roupas. Luana logo fez as malas e saiu para vender, “me lembro como se fosse hoje, a primeira venda que fiz foi de R$ 600,00, que à 10 anos atrás era muito dinheiro, fiquei tão feliz, liguei para o Edgar na hora comemorando e depois disso nunca mais paramos”.

Um tempo depois, sabemos que uma das lojas para qual revendiam, ofereceu a vocês a proposta de montarem sua própria instalação física, o que veio a se tornar a primeira loja. Como foi essa mudança do virtual para o espaço aberto?

Foi tudo muito novo, mas estávamos tão felizes e empolgados que pra gente todo trabalho e esforço valia à pena, trabalhamos muito, na verdade até hoje, amamos o que fazemos e acreditamos que é ai que esta o segredo do negócio.

Devido a popularidade e o diferencial dos produtos, infelizmente os assaltos foram  começando a acontecer. Isso foi uma das questões que fizeram com que a loja fosse para dentro dos shoppings?

Sim, exatamente. Na época tínhamos apenas 01 ano de comércio, porém, já tínhamos 03 lojas de Rua, tivemos um semana que as 03 foram assaltadas e ai, vimos que ou teríamos que ir para um lugar mais seguro, ou iríamos falir, pois todo nosso trabalho estava indo por agua abaixo. Foi ai que então, Edgar, sempre muito confiante foi atrás de alguns Shoppings, vários não nos abriram a porta, mas Deus já tinha algo preparado, o Shopping Grand Plaza de Sto Andre, estava em expansão e o corretos precisava fechar um números de lojas naquele período, enviamos nossa proposta, oramos muito e entregamos nas mãos de Deus e foi aprovado.

Em 2013, com a inauguração da loja no shopping internacional de Guarulhos, houveram algumas dificuldades e as lojas nas ruas passaram a acabar. Como foi esse processo para vocês?

Na verdade fechar as lojas de rua foi uma opção nossa também, pois as lojas do Shopping nos consumia demais por trabalhar de domingo à domingo das 10 às 10 da manhã, tínhamos que estar sempre prontos, alguma das lojas de Rua ainda sofria assaltos, então fomos fechando uma de cada vez, aos poucos e tentando direcionar nossos clientes das lojas de rua para as de Shopping. O nosso Xodó que era a primeira loja, a da Rua do Orfanato, que era a loja em que a Luana ficava foi a ultima à fechar em Dez de 2014.

Foto: Divulgação

No ano de 2014, devido à baixa do preço do dólar americano, muitas pessoas estavam começando a revender peças importadas. Em busca de um diferencial, vocês adotaram o estilo Street Fashion. Poderia nos contar um pouco mais sobre ele?

Nesse período éramos licenciados à diversas Marcas, como Lacoste, Ralph Lauren, Lamartina, Calvin Klein, Mandi, entre outras….. e nesse período de 2014 com à acessibilidade ao exterior, muitos começaram à iniciar o empreendedorismo de oportunidade, pois traziam á peças de fora mais barato, mas sem licença para revenda né, eles compravam no varejo lá para vender no varejo aqui, muitos iniciavam no mercado livre, facebook na época e boca à boca também, trazendo muita concorrência e uma desvalorização aqui para nós o que antes era exclusividade e Glamour nas nossas lojas passavam à ter em qualquer lugar. Com isso, começamos à acompanhar o que estava começando á acontecer lá fora, não que estava começando, mas estava virando moda nos Estados Unidos, com Kenue West, JAY z, ou Reppers que faziam muito sucesso naquele momento usavam estes estilos, até mesmo Justin Biebber, Justin Timberlak, usavam roupas super diferentes, que não visava tanto á marca em si, a Grife, mas sim, um conceito com mais estilo, um estilo mais urbano, mais street de Rua, com calças com destroid, camisetas mais alongadas, estampas diferentes e isso chamou muita a nossa atenção e alí vimos um nicho que poucas marcas ou quase nenhuma Marca aqui do Barsil trabalhava com esse etilo, pq aqui ou se trabalhava com Surfwear, Grifes mais conhecidas, ou roupas populares, sem um segmento próprio. Então vimos essa tendência que estava vindo de fora, muito desses artistas Norte Americamos que faziam sucesso no mundo inteiro, lógico puxando cada um pro seu País uma identidade, no Japão com cores bem diferentes, nós olhamos isso e pensamos, podemos fazer disso uma Marca nossa, e ir atrás de Marcas que trabalhem com esse segmento, naquele momento tinha pouquíssimas Marcas, de pessoas que entendiam de moda, ou pessoas que viajavam muito para o exterior, mas derrepente não conseguia trazer isso para nosso Pais com estrutura para produzir e vender à idéia e hoje é a febre, o estilo urbano

Como foi a criação da Effel Culture, a primeira marca própria de vocês? Abri-la em uma época de crise foi uma jogada de sorte? Imaginavam o sucesso que ela tomaria?

Edgar desde o inicio já tinha o sonho de ter uma Marca Própria, porém como não éramos conhecidos ainda seria muito difícil fazer a marca crescer e até mesmo inseri-la em nossa loja no meio de Grandes Marcas que trabalhávamos na época como, Lacoste, Calvin Klein, entre outras…

Contudo, em 2016, na crise tivemos uma queda drástica no nosso faturamento e o pedido mínimo destas marcas era um absurdo, na época trabalhávamos com 16 marcas grandes e ai não dava para continuar, foi bem, a necessidade que nos fez investir na nossa Marca Própria, eu ai começamos á fabricar aos poucos, em pequenas quantidades, colocávamos em todas as nossas lojas que na época eram 07 se não me engano, já eram 07 vitrines de Lojas trabalhando uma marca, junto com outras Grandes Marcas, nossa vitrine tb sempre foi espelho paraalguns logistas do nosso seguimento, então alguns logistas passaram a procurar à marca para revender, mas ainda não tinhamos estrutura para isso.

Também, foi um pouco difícil na época fazer nossos Gerentes e vendedores acreditar na Marca, pois as outras já eram muito conhecidas, ex “quem não conhece uma Calvin Klein” e todos vinham de outras lojas que trabalhavam com roupas de Marcas. Ai Edgar teve uma ideia genial de premiar as lojas que vendessem uma quantidade especifica, foi quando uma Gerente que veio da Prefixo, falou, vou ganhar mais dinheiro vendendo essa Marca, então é isso que vou vender, acreditou no potencial e quebrou os paradigmas, à partir daí a Effel só cresceu dentro das nossas Redes e posteriormente fora também.

O que os levou a adquirir a JOTTAE em 2019 como estratégia para agregar no grupo?

Oportunidade. Já trabalhávamos com a Marca e soubemos que o Dono não estava conseguindo administrar, ele nos ofereceu e nós agarramos.

Devido a pandemia, como o grupo está reagindo e quais as mudanças que foram tomadas?

Bem, as mudanças foram bruscas, contudo, somos jovens, temos muita Fé, hoje temos uma Equipe de Gerentes e Subgerentes muito fera, nos adequamos em algumas partes e fomos pra cima. Também temos um ótimo relacionamento com nossos fornecedores e marcas que trabalhamos, reprogramamos tudo o que foi necessário e estamos conseguindo com muita luta atravessar o Deserto. Aquilo que não te mata te fortalece.

Como você enxerga o Grupo Villa Urbana hoje e qual o significado dele no mundo hoje?

Acreditamos que podemos muito mais, que podemos crescer muito mais, levar Alegria e satisfação à nossos Clientes pelo Brasil todo. Domos um Grupo Forte e Sólido de apenas 02 sócios, sem investidores por trás, trabalhamos muito e conseguimos passar isso para nossos colaboradores também. Tenho certeza que todos que fazem parte desta equipe acredita que podemos ir muito além, porém sabemos que não é fácil. Pois crescer é muito fácil, o difícil é se manter em pé.

Nosso significado para o Mundo é, viemos de um Vila, sonhávamos em ter roupas boas e de Marca e á vezes não podíamos ou não tínhamos acesso. Quando vc entra em uma loja em um Shopping de alto padrão tem vendedores que nem te atendem, nosso intuito é levar à Moda, levar Marcas de difícil acesso para TODOS, sem distinção de classe, posição financeira, Sexo, Cor e nada que possa nos separar dos nossos Sonhos. Sempre será possível.