Inspirada por sua avó, que foi empresária de artistas da música clássica, Priscila Jaffé, CEO da Jaffé Produções, se torna atualmente referência no empresariamento artístico no Brasil, trabalhando tanto com influenciadores digitais quanto com marcas que buscam presença no mercado digital. Ela iniciou a carreira em 2015, com a influencer Marina Ferrari, e hoje já carrega em seu portfólio grandes trabalhos e campanhas. Além de Marina – com 3,1 milhões de seguidores – nomes como Gabriella Lenzi, Leydi Paranhos, Carla Prata, Monick Camargo e Nathalia Lucena também escolheram a empresária para gerenciar sua carreira e integram o casting de sua empresa.

A empresária abriu a Jaffé Produções num momento em que o mercado digital e de influenciadores ainda engatinhava no Brasil, e tudo funcionava apenas por meio de permutas. Confira a entrevista!

Referência no empresariamento artístico, conte-nos um pouco sobre o seu trabalho atualmente como os influenciadores?

Meu trabalho hoje com os influenciadores é exatamente igual de quando comecei. Busco pessoas com conteúdo e nas quais acredito no crescimento. Foco tanto no crescimento na carreira como na parceria com as marcas. Para mim, o conteúdo e a parte comercial tem que andar alinhadas. A única diferença que vejo hoje é em questão de oportunidades, que infelizmente há 3-5 anos atrás não existiam tanto e hoje as portas estão abertas. Ter contato neste meio também ajuda bastante.

Durante um tempo na mídia, muito se questionava sobe a imagem dos influenciadores e se eles seriam realmente considerados profissionais. Como você encarou essas críticas, e porque acha que as pessoas tinham essa visão?

Acho que toda crítica é válida. E que nada como um dia após o outro para provar pensamentos ultrapassados como errados, concorda? Antes não se acreditava no desempenho dos influenciadores como imagem/ porta para vendas. E a partir do momento que os números foram provando o contrário, várias portas foram se abrindo. Com relação a “serem profissionais” acho que o mercado ainda está em crescimento e dia após dia vemos quem fica e quem vai. Não é um meio fácil, ao contrário de que muitos acreditam, demanda bastante tempo e o dinheiro não vem fácil. Pelo fato de qualquer pessoa pode influenciar alguém, e não existir um sindicato de regularização / regulamentação do trabalho de influencer, vejo que muitos acham o trabalho do influenciador como um “verdadeiro oba oba” onde marcas pagam rios de dinheiro pra ficar deitado o dia inteiro embaixo do sol (risos). Não é nada assim. Para suceder nesse mercado é preciso além de bastante conteúdo, muito trabalho disciplina.

Você iniciou sua carreira em 2015, com a influencie Marina Ferrarri. Qual o significado dela na sua vida depois de tantos anos de experiência? Já imaginava que um dia estaria à frente de tantas marcas e campanhas?

A Marina, para mim, significa o início de tudo e anos e anos de muita parceria. Além de ser uma Pessoa muito tranquila de lidar, é super comprometida com o que faz. O conteúdo está sempre pronto com antecedência e os trabalhos sempre em dia. Ela é maravilhosa! Eu nunca imaginava estar à frente de tantas marcas e campanhas, mas eu sonhava estar. Era um compromisso pessoal e continua sendo, dia após dia. Eu quero sempre mais e é isso que me move. Ver as pessoas que confiam em mim e no meu trabalho crescendo é bastante gratificante.

Ao ir para os Estados Unidos aprender inglês, acabou fazendo faculdade lá, ingressando em Justiça Penal, e pulando por diversos cursos, acabando por trabalhar no mercado financeiro de Nova York. O que a levou a ir por esse mercado, e como foi sua transição para o artístico?

Sinceramente? Acho que a gente é obrigado a escolher o que fazer pro resto da vida muito cedo e que nem sempre estamos preparados. Esse foi o meu caso. Eu era boa em várias matérias (matemática, história e português principalmente) então acabava que eu tinha interesse em vários cursos. Justiça penal eu amava até o dia que tive que fazer aula de química forense, mexer com ossos, ver DNA de cabelos e amostras de sangue me agonizava (risos). Foi aí que parti para diversas tentativas e foi aí que testei marketing (acho que ainda não estávamos preparados um para o outro naquela época), nutrição, economia, e fui parar em finanças acho que pelo meu dom com a matemática. Cheguei a trabalhar em banco de empréstimo para pequenas e médias empresas, seguido de banco de investimento em Nova York. Naquela época me mudei inclusive para Wall Street. Era até legal, mas eram muitas horas de escritório com muitas regras e aquilo me incomodava. Foi aí que surgiu um convite de ajudar uma amiga em produções brasileiras nos EUA. E no fundo foi o que eu sempre quis. Fiz teatro a minha vida inteira até me mudar para os EUA. Não foi bem uma transição para o artístico, foi um reencontro.

Você também teve experiência com produção de filmes, como o brasileiro “S.O.S Mulheres ao Mar 2”. Com uma convivência no mercado internacional e nacional, quais os pontos fortes e negativos que considera entre as produções estrangeiras e nacionais? O Brasil está caminhando para um bom caminho?

“SOS Mulheres ao Mar 2” foi um grande marco na minha vida. Tinha acabado de sair de um relacionamento abusivo e inclusive, durante as gravações foi quando passei pelo último episódio de agressões e consegui me desvincular dessa pessoa. E estar no set foi superimportante para pôr minha cabeça no lugar. Conheci pessoas incríveis, me apaixonei pelo cinema nacional. A equipe e os atores, todo mundo muito humano e amigo. Passamos 30 dias gravando. Muitos e muitos dias em pré-produção. Muitas e muitas horas em produção, lembro que acordava às 4h e tinha dias que ia dormir depois de meia-noite. Era exaustivo, mas era incrível.

Acho que o ponto fraco do Brasil são as burocracias americanas. Nada lá tem um jeito, ou é ou não é. E isso nas horas das gravações é imprescindível. Tem que estar sempre preparado para uma burocracia a mais. Lembro que tinha uma cena que gravamos na saída do aeroporto. E precisávamos por uma das câmeras no topo de um hotel dos arredores. Só que nos EUA isso é “crime” desde o 9/11. Então por lei somos obrigados a pedir autorização para todas as forças policiais Americanas, incluindo o departamento de segurança interna americano (homeland security) que é o órgão responsável por terrorismo dentro do país. Foi uma corrida contra o tempo para que essa autorização saísse a tempo, entre outras, claro. As produções americanas são grandiosas, mas as brasileiras têm um calor maior e é tudo feito com muito amor. Nada a reclamar, só elogios.

Como foi a criação da Jaffé Produções, numa época em que a mídia digital funcionava apenas por permutas? Foi uma jogada arriscada para a época?

Foi na raça e na coragem (risos). Tinha meses que eu não tinha $ para pagar o condomínio. Meus pais falavam para eu desistir e focar em outras coisas. Acabei trabalhando bastante com produções de eventos, mas nunca desisti da Jaffé e é por isso que estamos aqui hoje colhendo todos os frutos.

De volta aos Estados Unidos, você teve como mentora Shonali Burke, uma expert em social media. Como foram os seus estudos com ela?

Foram maravilhosos. Momentos realmente incríveis. Estávamos sempre sentadas numa mesa de restaurante ou numa cafeteria tomando chás e comendo alguma coisa. Muita conversa e bastante aprendizado. Foi imprescindível na minha carreira pois foi quando tive certeza que esse mercado ainda estava só começando aqui no Brasil. Ela é expert no assunto e fala sobre tudo com tanta naturalidade e facilidade que estudar se torna bastante aconchegante.

Quais você considera ser seus maiores cases de sucesso até hoje?

Entre os meus cases de sucesso posso destacar a Marina Ferrari, que está comigo há cinco anos. Começamos com 200 mil seguidores, só era conhecida no Nordeste e só tinha relevância no meio de cabelo e maquiagem. Hoje ela já está com mais de 3 milhões de seguidores no Instagram, quase 1 milhão no TikTok e tem conteúdo bastante diferenciados. Atingimos muitas marcas juntas. Fizemos um excelente trabalho. Outro caso de sucesso foi a Mirela Janis, que entrou na agência com 700 mil seguidores e, em menos de 1 ano, já tinha passado da marca de 1 milhão de seguidores a mais de quando tinha entrado. Atualmente tem 3 milhões de seguidores no Instagram, com um engajamento muito legal. Rafael Uccman também foi um grande case de sucesso já que colocamos ele na televisão. É importante falar também do meu caso pessoal de sucesso. Entrei neste meio de paraquedas, querendo crescer, com muito medo. Hoje, graças a Deus, estou bem solidificada no mercado. Sou bem respeitada neste ramo e posso falar com propriedade a respeito.

Como uma especialista no assunto, o que considera ser preciso para se tornar um bom influenciador nos dias de hoje e que dicas teria para dar?

Já falei isso inúmeras vezes para várias pessoas diferentes que me procuram. A palavra-chave é conteúdo. Procure sempre falar sobre assuntos que você domina, seja moda, maquiagem, investimento, humor, engenharia, maternidade, segregação racial, etc. existem influenciadores de vários nichos. Esquece de ser o maior influenciador do Brasil, seja você. O importante é ser exatamente quem você é para que as pessoas possam se identificar com você e com o seu conteúdo. E resolva sempre o problema de alguém. Se você é humorista, faça as pessoas rirem. Se você fala sobre investimento, faça com que as pessoas aprendam um pouco mais ou até mesmo invistam em fundos que você recomenda. Influenciar não é ser famoso; ser famoso e grandioso no Instagram ou outra rede social é consequência. E trabalhe muito, muito. Alinhar a realidade com as expectativas é bem importante.

Além das vendas, quais os benefícios que um publipost pode trazer para a empresa e o influenciador?

Associação de imagem também é bastante importante. Por isso, procure sempre marcas confiáveis e com credibilidade. E para as marcas, procure influenciadores que encaixem não sua linguagem. Uma comunicação malfeita pode trazer péssimas consequências para ambas as partes.

Como é o perfil das pessoas que geralmente buscar os seus serviços de agenciamento, e do que elas mais costumam precisar?

Todos os perfis. Mas a maioria me procura para saber como começar nesse mercado. E minha primeira pergunta é sempre “qual o seu conteúdo? ” Ou “do que você pretende falar? ”. Como qualquer outra profissão, ser um grande influenciador requer de tempo para estudar e recursos para investir. Acho que a parte mais difícil e que ninguém conta é que não é difícil começar, o difícil é se manter nesse mercado.