Os cancioneiros cariocas da Zumpiattes lançam mais um single, desta vez, com clipe. “O Bicho Que Há Dentro De Mim” revela amor e sufocamento com violões calmos e lirismo, dignos das mais tradicionais músicas folks. Perdendo-se pelas tonalidades distintas de sua letra, o clipe transita entre esses dois universos – explorando diferentes tonalidades a partir das emoções cantadas, esbarrando no soturno e no grotesco que também fazem parte deste ambiente. Confira a entrevista!

Membros da Zumpiattes, uma banda folk carioca. Como foi a que a formação de vocês aconteceu?

O Bruno e o Victor se conheceram na escola, compartilhavam gostos e referências, além do habito de carregar o violão para todo canto. E, em algum momento de 2015, decidiram montar a banda. Conheceram o Guilherme na internet, que estava procurando guitarrista para alguma das bandas dele, marcaram um ensaio e, desde então, ficou. Na época, tocavam com outro baterista e foram convidados pelo Djalma, que viu a “Zumpi” tocar em algum sarau, para gravar um single em seu estúdio, o DNT, em Nilópolis. Rolou sintonia e ele ficou para a gravação do “Margens”, que foi lançado em 2017, até hoje.

Lançado recentemente, “O Bicho Que Há Dentro de Mim” traz a temática do amor sufocado. Qual foi a inspiração e como surgiu a ideia dessa música?

A letra dessa canção nasceu da mesma forma que as outras, com o Bruno sentado em sua cama, refletindo e olhando, pela janela do apartamento, a vista da cidade de Nilópolis.

Dessa vez há uma reflexão de como é fundamental estarmos de bem com nosso lado sensitivo, pois respeitá-lo é entender nossos limites. Até onde nosso corpo pede liberdade ou aceita a condição em que está. “O Bicho Que Há Dentro de Mim” é a mistura de um grito com um sussurro, sem querer causar barulho, mas sem segurar a voz, possui equilíbrio e foco, é a busca pelo meio-termo saudável da vida.

Transitando entre dois universos, explorando as diferentes tonalidades. Quais foram as diferenças que experimentaram com esse lançamento em relação às demais produções do grupo?

A “música do bicho”, como carinhosamente chamamos, é resultado de um olhar saudoso para o começo da banda –  uma lembrança da calmaria e da confusão dos muitos sentimentos da vida. Nesse lançamento, nós buscamos trazer à tona esse clima mais intimista, mas, ainda sim, poderoso. As versões antigas da música eram intensas nos refrãos, e tivemos medo de que isso pudesse se perder por conta do arranjo novo, mas foi provado o contrário.

Vocês são amantes da música folk, o que mais os atraem nesse estilo?

Gostamos muito e, talvez, a tomamos como base. Com exceção do Bruno, que é essencialmente folk, nós viemos de outras escolas, outros gêneros de música, mas enxergamos no gênero a possibilidade de compor grandes canções. Essa é a proposta, fazer canções. Há um pouco daquela essência, até por referência, de Dylan e Young, com a mistura de todos nós – um pouco de rock, pop e brasilidades. Essa mistura que torna tudo interessante e é a base de nossa identidade.