O  machismo não se apresenta só na realidade atual. A cultura já retratou de diversas formas, tanto negativa como positivamente as mulheres na sociedade. Em Hollywood, por muito tempo os papéis femininos eram só como coadjuvantes e faziam parte dos interesses românticos ligados aos protagonistas masculinos, sendo elas representadas em situações de submissão e sendo subjugadas.

Em uma entrevista dada ao site “Viver Bem” para Fabiane Secches, Ana Luíza Alves, uma das responsáveis pelo blog colaborativo “Valkirias”,  deu luz em relação à representatividade feminina no cinema. Um deles são os filmes da “Mulher-Maravilha” que além de ser super-aclamado pela crítica, se tornou um marco para a representação da mulher no cinema, sendo que em nenhum momento da produção ela foi sexualizada ou objetificada como em algumas outras produções. O exemplo também é seguido por filmes como “Big Little Lies” e “Crazy Ex-Girlfriend” que nos fazem observar de maneira mais profunda o lado sentimental e forte das personagens. Felizmente,  parece que nos últimos anos estamos conseguindo melhorar a participação e a imagem das mulheres, afastando-as da exclusividade do perfil sexualizado. A nossa esperança é que aquelas pessoas que antes só viam a mulher como um troféu social estejam sendo substituídos por uma visão que realmente as valorizem.

Foto: Pixabay

Esses avanços da representação das mulheres na mídia começaram com as críticas  às personagens femininas que eram extremamente sexualizadas. Isso levou  Hollywood a uma forte mudança nos estilos de personagens, quebrando até mesmo alguns estereótipos que o público concebia aos papeis, que ficou conhecido popularmente como o Princípio Smurfette, em referência a personagem criada pelo cartunista belga Peyo, que foi desenvolvida nos anos 90 pela ensaísta Katha Pollitt.

O princípio  afirma que as mulheres seguem diversos padrões e permanecem em posições mais ativas e ainda agradam às fantasias masculinas. Para combater a essa situação, nasce o movimento chamado de “Girl Power” que visa dar voz e quebrar os padrões comportamentais, dando uma representatividade mais verossímil partindo da compreensão que dão as mulheres uma personalidade com inúmeras particularidades que vai muito além dos padrões. Já pararam para pensar em quantos filmes e séries vemos essas mesmas situações, onde as mulheres são fortes, porém sempre vem acompanhadas de alguns problemas emocionais e que ficam reféns de romances, muitas vezes tóxicos com os protagonistas masculinos? É exatamente disso que estamos tratando.

Outro exemplo de representatividade que está começando a ser mais adotado é a presença das personagens negras nas produções, porém suas participações ainda são pequenas comparadas aos demais e com personalidade  problemática. A mesma questão serve para as mulheres indígenas que muitas vezes são dadas como “selvagens”, vivendo em um mundo não civilizado. As asiáticas também podem ser vistas facilmente em filmes  como aquela personagem extremamente sedutora e calculista, se mostrando ambiciosa e traiçoeira. Ou seja, para cada grupo há um padrão pré-concebido de estilo e personalidade.

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O Racismo feminino no Oscar:

Para termos ideia, uma matéria do jornalista Rafael Aloi do site AdoroCinema, relatou que até novembro de 2019, apenas 44 vezes um prêmio do Oscar foi entregue para atores negros. A cabeça das pessoas parece estar ficando cada vez mais enraizada com os padrões concebidos sobre os outros, seja pela sua etnia, origem ou até mesmo religião. Até hoje, os atores que mais chamaram atenção na The Academy Awards foram Hattie McDaniel, Sidney Poitier, Halle Berry, Whoopi Goldberg, Steve McQueen e Lupita Nyong’o, que ganhou por ter feito um papel justamente em um filme sobre escravidão, que de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), continua deixando impactos sociais, políticos e culturais até os dias de hoje.

Um dos movimentos que tem pressionado cada vez mais os estúdios são os #MeToo, #TimesUp e #OscarsSoWhite, que apareceu nas redes sociais em 2016, após o Oscar ter passado dois anos sem indicar nenhum ator ou atriz negra. O movimento foi tão grande que alguns atores chegaram a fazer boicote contra a cerimônia. Após isso, a organização anunciou mudanças em seus parâmetros para trazer mais representatividade nos indicados.

No início de 2020, foi publicada uma matéria divulgada pela Agência France Presse no G1, que demonstrou que 40% dos 100 melhores filmes de bilheteria de 2019 tiveram as mulheres como protagonista, já demonstrando um avanço em relação a 2018, o que aponta o Príncipio Smurfette sendo abolido. Mais uma conquista das mulheres, representadas no ano por Lili Reinhart, Jennifer Lopez, Keke Palmer e Constance Wu no filme “As Golpistas”.