Infelizmente o caso da homofobia e do preconceito ainda assola depois de anos o mundo, e quem sente na pele essa agressão acaba carregando marcas eternas. O caso da drag queen e youtuber Gaah que ocorreu em uma rede de fast food no Rio de Janeiro tomou conta da mídia esse ano e tem motivado os fãs da cantora a lutarem contra o assédio ao público LGBTQ+.

Gaah começou sua carreira como influenciadora em 2018 quando chamou atenção da mídia quando Bibi Tatto a convidou para participar de uma produção em seu canal. Apesar da amizade entre as duas, com o tempo foi se afastando e decidiu focar na sua verdadeira paixão: a maquiagem. Confira a entrevista!

Recentemente, você usou as redes sociais para denunciar uma questão de assédio e preconceito que aconteceu em uma rede de fast food em que foi alvo de ataques. Poderia nos contar um pouco mais sobre esse acontecimento?

Eu saí com uns amigos para comer como costumo fazer. Era bem tarde, por volta das 23:00pm. Terminando de fazer meu pedido, entrou um senhor que aparentava uns 49 anos e começou a me agredir verbalmente. Utilizou diversos palavrões se referindo à minha sexualidade, além de tentar me agredir. Assim que ele começou a me atacar, já peguei o celular e comecei a gravar tudo. Foram diversas ofensas e logo o restaurante inteiro parou para observar a cena. Ele tentou me dar um soco, mas acertou no meu celular que foi parar no chão. Os funcionários pediram para que ele se retirasse, e com muito esforço, inclusive gritos dos clientes, “Vai embora!”, ele se retirou.

Me senti muito envergonhado após o ocorrido. A equipe de fastfood foi muito atenciosa, porém não tomaram nenhuma providência. Acho que se ele tivesse me agredido, teria ficado por aquilo mesmo e ninguém chamaria a polícia nem nada.

A respeito das questões legais, já existe alguma pista ou processo em cima do agressor?

Como ele foi embora “rápido” não conseguimos nenhum dado dele. Não tive nem tempo de pensar em chamar a polícia, foi tudo muito rápido. Depois que fiz o boletim de ocorrência, estão analisando as minhas filmagens para tentar identificar o sujeito, ver se já tem passagem etc.… espero que dê certo e que ele pague pela humilhação que me fez passar.

Sobre a questão contra o preconceito, acredita que ainda aja muito o que caminharmos no Brasil?

Sim, temos muito que evoluir! Não consigo entender uma pessoa preconceituosa! É triste e ao mesmo tempo revoltante, porque o preconceito tem raízes mais profundas que os princípios. É tudo questão de respeito, você não pode mandar na vida do outro, não pode julgar o outro. Lembre-se que é um de você.

Para quem não conhece, conte-nos um pouco sobre seu início como drag queen e influencer.

Em 2018 a Bibi Tatto me chamou para fazer parte da produção do seu canal no YouTube. Depois de um tempo eu estava me saindo tão bem que decidimos que eu seria um personagem. Ficamos 2 anos gravando juntos e infelizmente nos afastamos por motivos pessoais, desde então eu foquei no que sempre amei: maquiagem. E quem me ajudou a conhecer mais da cultura drag foi a Aretuza Lovi. Nos conhecemos num show e eu já era super fã! Ela me disse que um dia eu ia ficar um arraso toda montada, e eu disse que jamais faria isso. Não é o que vemos hoje (hahahaha). Sigo fazendo sucesso no que faço e com muitos planos para o futuro. Ser influencer é responsabilidade, com o público. Tem que ter cabeça.

De onde veio a ideia de criar o canal no YouTube?

Sempre assisti muitos youtubers como Bibi Tatto, Luis Mariz, Maria Venture, Matheus Mazzafera… e nunca imaginei que seria amigo deles 3 anos depois (risos). Eu queria ter um canal igual da galera que eu assistia, então criei. Mas ele bombou mesmo em 2019. No começo eu postava coisas da minha rotina, e depois fui fazendo bastante conteúdo de entretenimento, junto com a Bibi Tatto.

Sobre sua carreira musical iniciada agora em fevereiro, quais estão sendo os seus primeiros projetos?

Estou de contrato fechado com a “Produtora X”, já dei início a um single que deverá ser lançado em breve. Vou performar de DragQueen durante essa fase pois é algo que quero explorar e me aprofundar muito. Eu amo a cultura Drag e sinto que tenho muito a aprender. Até o fim do ano pretendo lançar várias músicas, e sempre engrandecendo nossa bandeira Lgbt!

Deixe uma mensagem.

Gostaria de agradecer a todos os meus fãs que me acompanham, e dizer que é por vocês que tenho me empenhado em tantos projetos! E que o mundo conheça mais artistas que representam causas importantes! Juntos vamos combater o preconceito, a discriminação e conquistar nossos lugares por direito.