Considerada um dos grandes fenômenos da dublagem brasileira, Ana Lúcia Menezes coleciona uma grande variedade de personagens em sua carreira, desde desenhos animados até histórias japonesas. Presente em produções conhecidas como “Apenas um Show”, “Pretty Little Liars” e “Pokémon”, a dubladora já possui mais de 30 anos na profissão.

Algumas atrizes famosas com Lucy Hale de “Mulher Biônica”, Jennette McCurdy de “iCarly” e Mia Wasikowska, conhecida internacionalmente por ser a Alice no remake de “Alice no País das Maravilhas” de Tim Burton, já ganharam sua voz na versão brasileira. Além de sua própria trajetória, Ana Lúcia é mãe da também dubladora Bia Menezes, que além de ter feito algumas séries na Nicklodeon, também é a voz da Peppa Pig no Brasil. Confira um pouco da carreira da artista!

Conte-nos um pouco sobre seu início na dublagem.

Eu comecei a dublaeu tinha 13 anos de idade. O meu pai trabalhava na Herbert Richers, e o estúdio, pioneiro da dublagem no Brasil, colocou um anúncio no jornal convocando crianças para dublarem, ele pagaria um salário mínimo para as crianças que aprendessem a dublar. Não apareceu ninguém. Sabendo que meu pai tinha sete filhos, ele pediu para o meu pai levar os sete para ensinar as crianças, e aí não houve interesse dos meus irmãos, foi só eu e uma irmã que logo depois de um tempo desistiu, hoje é arquiteta, e eu continuei. Sempre gostei dessa área da arte, da dublagem… mais na arte, não conhecia dublagem, só sabia o que era um pouquinho porque meu pai trabalhava com isso, ele era mixador. E então, isso já tem 32 anos. Comecei na Hebert Richers, e eu fazer uma escolinha de segunda a sábado. De segunda a sexta, como tinha a escola e o Juizado de Menores ficava bem em cima, então eu ficava lá até 11:30 e sábado ficava de 8:30 lá umas 4 horas da tarde.

Foto: Reprodução/Instagram

Um dos animes que marcou uma legião de fãs e a rendeu uma indicação ao Prêmio Yamato foi “A Viagem de Chihiro”, onde interpretou a protagonista. O que você achou desse filme?

Então foi muito gratificante dublar um filme assim que recebeu vários prêmios, e sendo a principal, foi muito legal. Lembro que quem dirigiu foi um diretor na Delart, chamado Lauro Fabiano e eu agradeço muito a ela pela direção dele, que foi me conduzindo. Acho um filme muito fofo, é engraçado como marcou. Eu participei a pouco tempo do Rio Matsuri e foi interessante, que lá tinha uma menina que ela fez a tatuagem da Chihiro no braço, ela ficou super emocionada de estar perto da voz da Chihiro. O filme mexe mesmo com o coração, mexeu mesmo com as pessoas. Isso é muito legal.

No seu currículo existem muitos filmes de origem japonesa. Sente muita diferença na hora de dublar pelo estilo da animação?

O japonês ele normalmente ele é mais difícil, porque não tem nenhuma referência, não conheço nada da língua. Nada que vai me dar uma base mais ou menos do que é, fica bem difícil, mas assim, graças a Deus, já estou bastante tempo, não é tão difícil para mim, mas ele tem um grau de dificuldade. Cada língua que a gente vai dublando tem um grau de dificuldade. O francês fala muito rápido, o espanhol eles falam mais cantado, a labial ela é mais parecida com a da gente.

Foto: Reprodução/Instagram

Outro papel que também teve destaque foi a Sam Puckett nas séries da Nicklodeon. Como foi pegar essa personagem?

Eu amei fazer a Sam. Eu fiz luta, eu sou faixa preta de Taekwondo. Eu gosto dela, é bem difícil de dublar, é bom pegar personagens assim. Ela é uma excelente atriz, então é bem desafiador, você dublar alguém com tanta personalidade, que bate, é bem legal. Eu amei e é uma das minhas favoritas também.

Você também fez a Aria Montgomery na série “Pretty Little Liars”. Qual a importância que esse papel teve na sua carreira?

Essa atriz, a Lucy Hale, eu já tinha gravado em outros filmes na época da Hebert Richers, tinha feito “Mulher Biônica” e um outro que não lembro. É muito legal assim, dar continuidade, está vindo mais coisas novas com ela.

Mãe da também dubladora Bia Menezes, como foi passar essa arte para sua filha?

É muito gratificante, eu poder ter ensinado a minha filha, e hoje ela está aí no mercado, Bia Menezes dublando e sendo orgulho da mamãe. Na verdade, a Bia ela começou porque ela ficava me esperando no estúdio. Quando eu tive minha filha, quando estava com dois meses de nascida, eu não fiquei com o pai dela, nós terminamos, e eu não tinha com quem deixar. Logo depois, minha mãe faleceu quando ela tinha cinco aninhos, meu pai também faleceu no outro ano, quando ela tinha seis. Então ela tinha que ir para o estúdio, dormia lá, eu levava um mochilão, leva água, biscoito e ela se habitou essa vida de estúdio. A gente ficava por lá e hoje ela virou dubladora. Eu fico muito feliz, porque todas as peças viraram um castelo e a Bia Menezes está aí hoje em dia.