Tudo sobre a Low Carb e Jejum Intermitente

A Low Carb, que como o nome diz, significa “baixo carboidrato”, é uma estratégia que tem se tornado estilo de vida de muitos ao redor do mundo, uma vez que a sociedade está cada vez mais consciente de que estamos doentes, com o corpo inflamado e viciados em açúcar.

Esta estratégia consiste em baixar consideravelmente a ingestão de carboidratos, fazendo assim com que os picos de insulina se mantenham estáveis no organismo, corrigindo então a resistência insulínica que é o motivo de muitas pessoas estarem adquirindo a Diabetes tipo 2, por exemplo, e cada dia mais sofrendo com sobrepeso.

Isso sem falar dos níveis de energia que caem demais ao longo do dia, fazendo com que fiquemos cada vez mais cansados e, engraçado, esta queda de disposição e energia começa logo após o café da manhã. Isso porque o café da manhã da maioria das pessoas é composto de pães, cereais e sucos, ou seja: açúcar e carboidrato que também vira açúcar e força o aumento da produção de insulina, que não se estabiliza, pedindo então mais açúcar ao cérebro.

Percebeu o ciclo?

E já que falamos em insulina, vamos falar sobre o Jejum intermitente, que também é uma estratégia utilizada para conseguir diversos benefícios para a saúde, seja emagrecimento, longevidade, disposição, etc., e embora seja praticado há milênios, até hoje é cercado de mitos e dúvidas.

Desde o período paleolítico até pouco mais de 100 anos atrás, as pessoas estavam acostumadas a fazer longos períodos de jejum e só se alimentavam 1 ou 2 vezes por dia. Então, o corpo humano está muito apto a ficar longos períodos em jejum e isso não é problema algum.

O problema é que ao longo dos anos as indústrias alimentícias nos fizeram acreditar em muitas falácias, tais como: o café da manhã é a refeição mais importante do dia ou que para emagrecer a pessoa precisa comer de 3 em 3 horas. Isto não é verdade.

O objetivo do jejum é fazer com que o corpo utilize os estoques de gordura, que são armazenadas no nosso organismo ao longo dos tempos.

Quando nos alimentamos, o organismo começa a dar um destino para a energia absorvida em forma de glicose. Para tanto ele ativa a insulina, responsável por colocar esse açúcar para dentro das células. A energia que não será utilizada pelas células é armazenada pela insulina em forma de gordura.

Depois de um tempo essa energia se esgota e o corpo é obrigado a usar essas reservas. Ele recorre tanto ao glicogênio, uma forma de energia armazenada nos músculos, quanto ao tecido adiposo, e neste momento ativa hormônios que atuam na quebra de gordura (lipólise), como o glucagon.

Mas como isso é feito?   

Um dos métodos preferidos entre os praticantes de Jejum Intermitente, é o Método Lean Gains, ou seja, o período de jejum é de 16 horas e a janela de alimentação é reduzida para 8 horas. Ele é feito da seguinte forma:

Pula-se o Café da Manhã: Faz a última refeição por volta de 22 horas, pula o café da manhã e almoça por volta de 12 horas.

Pular o Jantar: Faz uma refeição as 7 da Manhã e última refeição às 15 h

Mas o que comer depois do período de jejum? Ora, se ficamos um longo período sem comer, não se deve imediatamente provocar um aumento brusco de insulina logo na primeira refeição pós jejum.

Dra. Bruna Marisa,  médica membro da sociedade Brasileira de Endocrinologia, diz que um dos maiores erros que as pessoas que fazem o jejum intermitente cometem, é achar que podem comer de forma normal qualquer alimento nos períodos em que não se está em jejum. -“Normalmente são indicadas entre 10 a 24 horas de jejum, que pode ser feito diariamente ou somente em alguns dias da semana. Os períodos em que a alimentação é permitida, são chamados de janelas de alimentação. Fora deles, a pessoa deve ingerir líquidos que não possuam calorias, como água (com ou sem gás) e chás e café sem açúcar. Nos períodos de janela, deve-se manter estáveis os níveis de insulina, então a pessoa deve ingerir proteínas, gorduras boas e vegetais, evitando carboidrato e açúcar. Para quem quer perder peso, o correto é manter qualquer estilo low carb durante todo o período da janela de alimentação; diz ela.

E sobre os benefícios do jejum?

A Dra. Bruna Marisa explica que são muitos os benefícios do jejum intermitente. Entre eles:                                                                                   

  • Reparação celular das células do intestino;
  • Saúde cardíaca ( regula os trigliceris , hdl etc.)
  • Mais Disposição, longevidade, saúde e clareza mental
  • Melhora da resistência insulínica e consequentemente o controle da glicemia, tratando assim o paciente diabético e aquele que está caminhando para tornar-se um diabético.
  • Autofagia (limpeza celular mantendo integridade do nosso organismo e da nossa saúde)
  • Aumento da secreção de hormônio do crescimento, e redução “natural” da ingestão calórica, com uma menor sensação de fome;

Uma vez que sabemos disso, podemos afirmar com toda certeza que a estratégia low carb atrelada ao jejum intermitente é absolutamente indicada para pacientes diabéticos e para a perda de peso.

O Jejum intermitente, além de todos seus benefícios , ainda potencializará os benefícios da estratégia de alimentação que você utiliza.

Os estudos não mostram diferenças em perda de peso a longo prazo, comparado com as dietas hipocalóricas. A dieta ideal é aquela que o paciente consegue ter boa adesão. “Na consulta e fazendo o recordatório alimentar, teremos condições  de indicar a dieta que mais se adapta a cada perfil de paciente.”, diz a Dra. Bruna que é fã dessa dieta, e a adotou como estilo de vida.

A Dieta Low Carb é contraindicada para crianças e gestantes. Idosos só podem fazer com acompanhamento médico e nutricional minucioso. 

Devemos dizer também que a dieta low carb, pode causar no início, uma diminuição da energia e do rendimento físicoentão, no caso de atletas e esportistas, deve ser analisado caso a caso.

Outra observação importante é que diabéticos também se beneficiam muito dessa dieta, mas antes de inicia-la, o paciente deve ser consultado pelo seu endocrinologista, para ajustes de medicações orais e insulina.