Vilma Melo fala da cena preta nas artes: “Estamos lutando e trabalhando muito”

Vilma Melo está no auge! Aos 50 anos, ela está no ar na série ‘Segunda Chamada’, da TV Globo, desconhece a palavra descanso, e só quer saber de trabalhar. “Estamos amando a oportunidade de fazer esse trabalho. Sou professora do município e dei aula em escolas de Bangu e Realengo. Esse universo do ensino faz parte da minha realidade. E a série está linda”.

Além do trabalho na TV, Vilma também está no cinema com o filme ‘Três Verões’, estrelado por Regina Casé. “Esse filme estreou agora e está rodando pelos festivais, Fiquei muito feliz de fazer parte dessa obra, pois é um trabalho de uma delicadeza extrema. A Regina Casé é uma aula. É incrível vê-la em cena. Com ela, coisas pequenas se tornam enormes. Você aprende muito observando”, enaltece Vilma.

Presente também na internet, a atriz também está na web série ‘Onde Está Mariana?’, que fala sobre feminicídio, no curta ‘Prefiro Não Ser Identificada’, além de ter estreado na última semana, o espetáculo ‘Noite do Sorriso Negro’, na Arena do Sesc Copacabana, uma comemoração pela mês da Consciência Negra. “O curta é uma obra que fala de uma mãe que perdeu seu filho provavelmente para o poder público. Ele tem o lugar de alerta, pois é uma mãe preta, um filho preto e a maioria de nós que morremos pelo poder público atualmente somos pretos”.

Primeira mulher negra a vencer o Prêmio Shell de teatro de melhor atriz com o espetáculo ‘Chica da Silva’, em 2017, Vilma avalia o cenário da arte atual. “Eu tenho 32 anos de carreira e acho que ainda estamos bem lentos nessa questão da igualdade. Estamos lutando e trabalhando muito para que isso mude. A gente consegue ver uma cena preta muito presente, principalmente nos últimos dois anos. Esse ano a gente tem um cardápio variado de peças. Hoje, eu penso que o prêmio Shell coroou não só a Vilma, mas toda uma determinada classe artística que não tinha pisado naquele palco até então. Uma classe que não era só preta, mas também os trabalhadores operários de teatro. Foi uma comoção geral. O palco do Copacabana Palace ficou pequeno na noite da premiação. A minha premiação acabou sendo uma atitude política. E essa atitude mudou muita coisa dentro do cenário preto carioca. Por isso, eu não acho que esse prêmio é só meu. Ele premiou uma grande parcela da classe teatral carioca”, finaliza Vilma emocionada.