Orlando Caldeira, da novela ‘Verão 90’, fala sobre ser único homem negro concorrendo no prêmio Melhores do Ano, do ‘Domingão do Faustão’: “Revolução na arte”

Crédito da foto: Studio Faya
2019 tem reservado muitas surpresas boas para o ator Orlando Caldeira. Em um ritmo de trabalho intenso, estrelando vários espetáculos teatrais, o momento é de comemorar. Este ano, o artista participou de sua primeira novela de destaque, ‘Verão 90’, e por esse trabalho, foi indicado ao Prêmio Melhores do Ano do programa ‘Domingão do Faustão’, na categoria ator revelação. Vale ressaltar que ele é o único homem negro concorrendo.

Para Orlando, é uma grande responsabilidade ser o único homem negro concorrendo no prêmio. “Tem um valor e uma responsabilidade muito grande. Faço parte de um momento de artistas negros que estão lotando teatros, que estão numa efervescente criação artística e promovendo uma estrondosa revolução na arte, produzindo as suas narrativas, fazendo com que o público negro retorne e lote as salas de teatro, promovendo encontros, debates. Dito isso, vejo a indicação como consequência desse movimento e essa indicação é para todos nós”, explica.

Feliz com o reconhecimento, Orlando entrega que não esperava essa indicação nem nos seus melhores sonhos. “Não consigo descrever o tamanho da felicidade que estou sentindo. Quando a produção entrou em contato comigo, eu paralisei, aliás, depois que desliguei o telefone fiquei achando que poderia ser trote. Só acreditei mesmo quando vi meu nome ser anunciado no programa. Agora eu sou só sorriso e gratidão”, diz ele, que dedica sua indicação para uma pessoa especial. “Jorge Fernando. Por todo carinho e cuidado que teve comigo durante as gravações e principalmente por tudo que ele construiu na teledramaturgia brasileira”.

Para fechar o ano, Orlando tem a alegria de voltar com o espetáculo ‘Oboró – Masculinidades Negras’, que tem direção do ex-BBB Rodrigo França. “Oboró revolucionou minha vida! Fazer essa peça ao lado de artistas que já admirava de longas datas e ser dirigido pelo Rodrigo França foi um presente dos céus! Oboró arrebatou milhares de pessoas, lotamos quase todos os dias, foi uma verdadeira comoção. As pessoas me param na rua até hoje dizendo o quanto o espetáculo mudou as suas vidas ou a vida de algum parente ou amigo. Falar sobre Masculinidade Negra é extremamente urgente, precisamos nos entender como povo e enxergar uma série de pontos que nos adoecem, nos paralisam, mas principalmente, os pontos que nos fortalecem e nos unem. Oboró é uma viagem para dentro de nossa alma, e da nossa história”.

Cria do teatro, Orlando já coleciona prêmios nessa categoria “Faço teatro desde 2001. Desde então, o teatro me levou para palcos de diversos países como Itália, Chile, Colômbia, Inglaterra, sem falar que tive a oportunidade de me apresentar em quase todos os estados brasileiros. Sobre alguns prêmios, recebi o de melhor ator no Prêmio CBTJ 2016 pelo espetáculo ‘Boquinha… E Assim surgiu o mundo’ (texto e direção Lazaro Ramos) e indicação (melhor ator) no Prêmio Botequim Cultura e ao Prêmio Zilca Salaberry 2016 pelo mesmo espetáculo. O prêmio de melhor ator coadjuvante no Prêmio CBTJ 2015 pelo espetáculo ‘As Aventuras do Menino Iogue’. Já em festivais de teatro pelo Brasil, já ganhei seis prêmios e na Europa venci o Prêmio Compasso Di Latta Italiano, pelo espetáculo “Cidade Das Donzelas” (Nápoles- Itália)”.

Focadíssimo no trabalho, Orlando está realizado com as conquistas de 2019 e já planeja os próximos passos. “2019 está sendo um ano incrível na minha carreira. Iniciei o ano em ‘Verão 90’, onde estou indicado como ator revelação. Estreei minha terceira direção no teatro, o espetáculo ‘Negra Palavra –Solano Trindade’ e como ator nos espetáculos ‘Oboró- Masculinidades Negras’ e ‘Ombela – A Origem das Chuvas’, com casa lotada e temporada prorrogada. Minha marca de saias masculinas, a Galo Solto expandiu suas vendas para além do ambiente virtual e começou a ser vendida em loja física do AFROCRIADORES em Ipanema, e no final do ano, lançarei a minha primeira loja, que faz parte de um coletivo de moda, chamada POP AFRO, no Madureira Shopping. Foi um ano de muito trabalho! E só tenho a agradecer. Em 2020, penso em fazer mais novelas e quero focar também no cinema”, finaliza o artista.