Foto de capa: Nilo Lima

Conhecido pelos seus principais papeis em “Chiquititas” e “Malhação”, Gabriel Santana leva a arte e sua profissão muito além do que o público vê pelas telinhas. Formado em artes cênicas, o ator carrega em suas referências dramaturgos históricos do teatro, além de estrelas como Johnny Depp e Meryl Streep. Confira um pouco sobre sua visão artística e os bastidores de sua carreira.

Como foi seu começo como ator?

Adoro contar essa história, porque tem muito haver com a minha família. Eu comecei essa carreira porque minha irmã tinha um sonho de ser modelo de passarela, eu tenho hoje 19 e ela tem 23, mais começou lá quando eu tinha 11 e ela tinha 15, já tínhamos procurado algumas agências, nenhuma tinha dado certo, ai achamos uma especifica que a gente gosto bastante, indicação de um amigo meu. Na época eu ainda era muito tímido, muito sisudo, meio sério, então, com o tempo eu fui me soltando. Comecei a fazer alguns trabalhos de comercial, testes, figuração, coadjuvante, papel principal em comerciais, fiz uns 5 ao total. A minha irmã viu que não era aquilo que ela queria, ela não tinha altura para ser modelo de passarela, então tinha que fazer comercial também, ela fez alguns, mais não curtiu. Eu fui gostando, fui me soltando, até que surgiu a oportunidade de eu fazer o teste para a novela “Chiquititas”, que putz, foi um sonho pra mim, porque até então, eu nunca tinha começado, nunca tinha feito teatro, canto e dança, e ali eu tive que exercer um pouquinho de cada coisa, até vivendo com todo mundo, que já tinham uma certa experiência das crianças e dos adultos, mais eu aprendi muito com todo mundo, onde pude ensinar também muito, e cuidar daquele pessoal, que vai ficar para o resto da vida na minha mente. Então foi assim que eu comecei.

Sendo “Chiquititas” seu primeiro papel na televisão, como foi o seu aprimoramento após a novela?

Foi tudo muito legal, depois que terminei “Chiquititas”, falei “é isso que quero pra minha vida, quero ser ator”, mais nunca tinha feito nenhum curso de teatro. Eu tive uma escola magnifica que foi gravar “Chiquititas” por dois anos, e falei que se era isso mesmo que queria para minha vida, eu tinha que me aprimorar, então foi para o teatro com 15 anos. Encontrei um anjo da minha vida Fátima do Valle, fizemos duas peças juntos, fiz aula no curso dela entre um ano e um ano e meio, fizemos peças profissionais por fora juntos, e depois disso eu nunca mais parei. Dos 15 aos 17 fui fazendo peça de teatro, fiz peça infantil, adulto, infanto-juvenil, espírita, fiz alguns tipos de peças de teatro, no total na minha vida acho que tenho em médio umas 8 ou 10 peças, entre 2015 e 2019 agora. Quando terminei o ensino médio fui para uma faculdade de artes cênicas, o Célia Helena, consegui fazer quatro períodos de teatro, ia me formar agora no ano de 2019, mais surgiu o convite para fazer “Malhação”, o convite não, porque eu fiz toda a etapa de testes, passei no teste, e ai tive que trancar a faculdade. Quero muito terminar essa minha formação, mais teve que ser interrompida. Teatro é a minha vida, eu amo muito, assim como televisão é minha vida. Eu não tenho muito isso de preferir o teatro ou o cinema, TV… fiz um pouquinho de todos e acho que cada um me realiza de uma forma diferente, então sou apaixonado por teatro, sempre que puder eu faço. Durante a gravação de “Malhação”, eu fiquei com uma peça aqui no Rio, “Querubim”, que talvez volte agora em cartaz, só que ao invés de ser no Rio de Janeiro em São Paulo, tem outros projetos aguardando resposta de lei de incentivo. Teatro é uma coisa que nunca vai sumir da minha vida.

Foto: Nilo Lima

Considerado um artista de múltiplas habilidades. Como essas outras funções foram se juntando?

Eu digo que tudo que aconteceu na minha vida, aconteceu meio que por acaso. Eu não estava esperando ser modelo e surgiu a oportunidade, eu aguarei com unhas e dentes, nunca imaginei ser ator para TV, surgiu a oportunidade de entrar para “Chiquititas” e eu soube aproveitar. Eu sai do “Chiquititas” e pensei, eu preciso me aprimorar, comecei a estudar teatro, surgiu a oportunidade de fazer teatro, aí no meio das peças, tinha peça em que eu precisava dançar melhor. Comecei a correr atrás de dança, fui lá e consegui pegar trabalhos com dança, canto a mesma coisa. Isso me deixou preparado para os projetos que eu fiz, que foram “Carcereiros”, “Z4”, que são as duas séries que foram ditas, e outros programas, fiz um produto de um concurso de dança no SBT, chamado “Dance se Puder”, fiz papel coadjuvante no filme “Eu Fico Loko”… Acho que eu consegui aproveitar todas as oportunidades que tive na vida, fui insistindo, fui treinando e me preparando para essas experiências dessas séries, filmes e peças de teatro.

Como você ver a profissão do ator em relação aos demais artistas?

Eu acho muito legal saber a diferença entre um profissional e um artista, no meu caso entre ser um ator e ser um artista, porque as pessoas falam muito “só porque eu sou ator, eu sou artista”. Não sei se estou certo ou errado, durante a vida eu fui pensando sobre isso, amadurecendo, e hoje eu tenho uma resposta sobre isso que pode não ser a definitiva, mas eu acredito que ator é uma profissão como qualquer outra, pode ser bem desempenhada ou não. Não necessariamente um bom artista é um bom ator, é aquele que exerce a função de atuar, então ok, entrega o personagem, eu estou ali, desempenhando um papel, uma profissão, me entregando de corpo e alma, isso me faz um bom ator. Um bom artista, acho que é aquele que quer mudança no mundo. O artista não importa se você é ator, se você é dançarino, bailarino, se você é arquiteto, médico, engenheiro, não importa a profissão. Artista é aquela pessoa que tem a convicção de que através dos seus pensamentos, daquilo que você acredita, você pode transformar o mundo num lugar melhor, e você manifesta tudo isso, exatamente com o que você acredita, o que você pensa. As vezes um artista só está querendo colocar para fora toda angustia, tudo que ele tá sentindo, mais só de colocar isso para fora, só de conseguir ter essa liberdade que não reprime isso, acredito que ele já está fazendo um bem para si, fazendo um bem para si, já está fazendo um bem para a humanidade de modo geral. Acho que essa é a grande diferença, os artistas são sempre muito bem posicionados sobre as suas ideologias, eles não precisam saber de tudo, muitas vezes a gente não sabe, falamos que disso não sabemos, mais a gente corre atrás, falamos o que a gente pensa com todo respeito, humildade e dedicação que a gente precisa nesse ramo artístico.

Foto: Nilo Lima

Quais são suas referências no mundo artístico?

Minhas maiores referências no mundo artístico, ah…aí é complicado, tem muitas. Eu estudei bastante durante a faculdade, então eu tenho umas referências de pessoas que nem estão mais entre a gente, mais teóricos de teatro, diretores, dramaturgos, Constantin Stanislavski, a pessoa que ficou mais conhecida por investigar essa profissão do ator, o lado artístico do ator também, teve grande empenho, maior diretor de teatro e maior pensador mesmo, a cerca da atuação. Brecht também com o teatro épico, que fala sobre todo o movimento artístico ser um movimento político. Acho que muito do que eu acredito do artista, vem da questão dos conceitos que Brecht falou, talvez não dizendo exatamente isso que eu acredito, mais estudando um pouco da trajetória dele e com os pensamentos que eu tenho, cheguei a essa conclusão. Agora referência atual, de atores, de artistas, posso dizer alguns, sou muito fã do Eddie Redmaynem ele é muito bom, só faz trabalho excelentes, e por conta das decisões dos trabalhos que ele faz e que ele é chamado, eu acredito que ele tem um lado artístico muito deflorado também. Gosto muito de Johnny Depp, ator maravilhoso também, Meryl Streep, nossa que mulher, ela hoje para mim é a melhor atriz/ator da atualidade mesmo, na minha opinião não tem ninguém que a supere. A entrega dela em cada filme, em cada série que ela faz e em cada cena é de deixar o queixo no chão.

Acredita que o seu trabalho possa transformar a vida das pessoas?

Eu acredito que eu possa ser agente de transformação através do meu trabalho. Acho que além de acreditar, e tenho continuado acreditando, já recebi feedbacks de pessoas em peças de teatro, vendo até como personagens de TV, deram depoimentos falando que mudei a vida tanto pelas redes sociais como pessoalmente também. São nesses momentos que o ator, o artista, mais se livra do ego dele, e vê que o seu trabalho tem um alcance que a gente realmente não tem ideia, porque a gente entra na casa de milhões de pessoas, centenas de pessoas vão ao teatro, a gente apresenta e as vezes não temos noção da transformação que a gente causa na vida dessas pessoas. Ter esse feedback é maravilhoso, isso encoraja muito a gente a continuar a fazer esse trabalho, que acho que só com amor e dedicação e com empenho, que todo artista consegue ser esse agente de transformação que a gente sonha em ser, que a gente quer ser e que tentamos todo dia. Acho que o artista está em processo todo dia, porque nós não somos seres perfeitos, cometemos erros, mais posso dizer por mim que estou todo dia tentando ser uma pessoas melhor, já que hoje eu sou referência para muitas pessoas e não é um peso isso, é uma responsabilidade que a gente precisa ter noção e precisa corresponder, e não é por obrigação, precisamos porque é isso que motiva a gente e nos faz ser feliz e nos sentir bem, saber que estamos transformando a vida das pessoas para melhor.

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