O que aprender com os festivais de música internacionais?

Por Beatriz Oliveira

Definitivamente, o Brasil entrou na rota de festivais que escalam grandes nomes da música nacional e internacional, e unem uma legião de pessoas com seus vastos e diversificados lineups, levando aos palcos tanto bandas famosas quanto artistas independentes.

Quanto ao público, não são só fãs que o compõe, mas também pessoas curiosas para conhecer novos sons, curtir uma experiência de música ao vivo e, principalmente, buscar uma experiência que só seja oferecida por aquele festival em específico. Afinal, é uma oportunidade de reunir os amigos e compartilhar momentos.

Um exemplo desse sucesso é que já existem festivais que divulgam data, local e venda de ingressos sem anunciar previamente a lista de artistas. Logo, o participante que já é frequentador e aprovou a experiência dos anos anteriores, compra os ingressos antes mesmo de saber as atrações confirmadas.

No exterior, alguns eventos já consolidados mobilizam milhares de pessoas de todas as partes do mundo, como o Tomorrowland (Bélgica), Burning Man (Nevada, EUA), Coachella Music and Arts Festival (Califórnia, EUA) e Milkshake Festival (Holanda). Eles atraem porque não vendem só shows, mas toda uma experiência de estrutura, que atende às necessidades do consumidor, englobando, além da música, aspectos como transporte, alimentação, atrações culturais e segurança. Mas, o que será que falta para os festivais brasileiros se igualaram aos internacionais?

A exemplo das experiências de fora, para contornar a logística nacional, em especial, o trânsito das grandes cidades, os organizadores podem incluir rotas e alternativas de transporte público, que facilitem a locomoção do público, ou oferecer serviço de vans, excursões ou parcerias com aplicativos de táxi. No que tange a alimentação, por exemplo, deve-se incluir opções para diferentes públicos pensando no: bolso, opções alimentares como fit, vegetarianos ou para quem possui algum tipo de intolerância. Outro ponto é que os festivais nacionais poderiam seguir o gringos, que têm distribuição de água gratuita, em bebedouros espalhados pelo espaço. Medidas simples que podem fazer diferença na experiência do público-alvo.

Lugares que concentram muitas pessoas ao mesmo tempo precisam de um bom esquema de segurança, já que o público geralmente está distraído durante os shows. No Brasil, infelizmente, ainda há casos de pessoas que vão a esses eventos apenas para cometer pequenos furtos de objetos, fato que já é suficiente para ter-se um alerta constante por parte das autoridades.

O festival de música eletrônica Tomorrowland, por exemplo, já é conhecido pelo forte esquema de segurança e raramente são registrados furtos e crimes porque a segurança é realmente uma preocupação dos organizadores. No caso do Coachella, os planos de segurança começam com um ano de antecedência e as autoridades se encontram logo após o festival repassando tudo que deu certo ou errado e o que poderá ser melhorado nas próximas edições.

O planejamento e organização com grande antecedência e espelhar-se em soluções (básicas) e inteligentes de fora, portanto, podem fazer do Brasil rota obrigatória dos festivais internacionais e também tornar as nossas festas referências mundiais. Cabem aos organizadores entenderem seus públicos e igualarem a qualidade geral dos nossos eventos para chegarmos a esse patamar.