Ponte literária entre Brasil e Moçambique é tema do Trilha de Letras

Muitas pontes aproximam as distâncias geográficas entre Brasil e Moçambique, como a língua e literatura. Para falar sobre este tema, Katy Navarro recebe o escritor Rafael Gallo no Trilha de Letras desta terça-feira (18), às 23h30, na TV Brasil.

Rafael é autor do conto “Corte”, publicado no livro “Do Índico e do Atlântico”, coletânea de textos brasileiros e moçambicanos. A obra – que traz grandes escritores como Conceição Evaristo e Mia Couto – estreita laços culturais no território fértil da literatura, promovendo um intercâmbio entre os dois países.

Em seu conto, Rafael ilustra a questão do racismo através da história de uma menina filha de mãe branca e pai negro. “A avó branca dela, muito rica e madame, leva a menina ao cabeleireiro para cortar o cabelo. Na verdade, a avó está tentando disfarçar os traços afrodescendentes dessa menina. Então é uma simbologia do corte de cabelo como uma simbologia do racismo de querer apagar esses traços de negritude como se fossem algo ruim”, explica.

Rafael Gallo nasceu em São Paulo, em 1981, e é autor de “Rebentar” (2015), romance vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, e de “Réveillon e outros dias” (2012), coletânea de contos ganhadora do Prêmio Sesc de Literatura. Ambos os livros foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Ainda nesta edição do Trilha de Letras, o escritor moçambicano Alex Dau, que também teve um conto publicado no livro “Do Índico e do Atlântico”, falou da importância de Jorge Amado para a literatura de seu país: “É um autor que inspirou os escritores de Moçambique. (….) Jorge Amado traz uma linguagem que facilita a comunicação com o leitor”.

No quadro ‘Dando a letra’, Paulinho Thomaz fala de seu livro “Trevo de sorte tem que ter quatro folhas”. E a produtora Maíra de Assis narra e comenta um trecho do livro “A adubada fecundidade e outros contos”, de Dany Wambire, no quadro ‘Leituras’.