Sérgio Malheiros fala de importância de seu personagem em “Verão 90”

Foto: Fabio Audi

Atualmente no ar com a novela Verão 90, Sérgio Malheiros traz luz a temas importantes através do personagem Diego Oliveira: racismo e relacionamento inter-racial. Não é a primeira vez que ele interpreta personagens fortes, o ator vem de uma maré de importantes projetos, como a série Impuros, da FOX, no qual interpreta Willibert, um traficante sádico que ajuda a gerenciar o crescimento do tráfico de drogas no Rio de Janeiro nos anos 1990. Além das telinhas, só em 2019 Sérgio esteve duas vezes nos cinemas com os longas Cinderela Pop e Cine Holliudy 2.

Extremamente engajado na causa negra, o artista também aproveita da voz que tem nas redes sociais, com seus mais de 2 milhões de seguidores, para levantar questões importantes que acredita, que coincidem bastante com os últimos personagens que tem feito.

Estreou nessa semana um novo projeto, o programa “Clube dos Três”, que vai ao ar no site, no Facebook e no YouTube do AdoroCinema, semanalmente, às quartas-feiras, às 19h. O projeto, que também conta com a apresentação do crítico e jornalista Renato Hermsdorff, levará toda quarta-feira um influenciador para falar sobre os temas do momento no universo cinematográfico. O projeto vem para mostrar ao público um pouco mais do conhecimento do ator e da paixão por direção. Sérgio também tem uma produtora, a Malheiros Filmes.

A respeito do “Verão 90”, a trama trata de casos de racismo e relacionamento inter-racial. Como está sendo realizar essa abordagem através do Diego Oliveira?

É um tema complexo e, infelizmente, muito atual ainda, mas acredito que são personagens como o Diego, que entram diariamente na casa das pessoas, que conseguem levantar esse debate e mostrar que as coisas precisam mudar e o racismo não pode mais ser aceito.

Antes da novela, você já havia feito personagens mais fortes, como o caso do traficante Willbert em “Impuros” na FOX. Acredita que a experiência na série serviu como conhecimento para o projeto atual?

Com certeza! Mas vem muito também do estudo que tive para viver o próprio Diego, de falar com familiares, do meu próprio sentimento como homem negro na sociedade. Apesar de serem personagens e histórias totalmente diferentes, o Willbert também levantava essa questão do negro na sociedade dos anos 1990, só que ele seguiu um caminho completamente oposto. Com o Diego eu tive um preparo diferente que visa fortalecer o discurso e a luta dele, mesmo sendo um cara muito do bem.

Foto: Fabio Audi

Como está sendo participar do “Clube dos Três” no AdoroCinema junto com Renato Hermsdorff?

Está sendo uma experiência incrível! Eu sempre gostei muito da vertente cinematográfica e poder levar meu conhecimento e a troca de informações sobre esse universo é muito legal. Vamos levar alguns convidados que sejam do universo e que possam comentar também, então é um constante aprendizado.

Esse ano já estrearam dois projetos seus nos cinemas, como foi participar de “Cinderela Pop” e “Cine Holliudy 2”?

Foi uma experiência incrível! São dois públicos e linguagens muito diferentes e eu adoro essa oportunidade de poder me comunicar com várias vertentes. O “Cinderela Pop” tem o público teen mais forte, é uma história mais gostosa de assistir, bem calma. Já “Cine Holliudy 2” vem com uma pegada de comédia interessante, que traz uma reflexão por trás, também.

Foto: Fabio Audi

Nas redes sociais, você se mostra muito ativo no levantamento de crises da vida real que vivencia com seus personagens. Acha importante usar a sua força de influência para passar essas mensagens ao público?

Com certeza! Através dos meus personagens e projetos consigo levar mensagens-chave a respeito da nossa sociedade como um todo. Com as redes sociais, esse poder acaba sendo maior e mais imediato. Gosto de fazer as pessoas refletirem e verem que muitas questões das quais passamos e vivenciamos todos os dias, como o racismo por exemplo, não são e nem deveriam ser normais. O Diego, por exemplo, passa pelo preconceito por ser negro e pobre, mas luta diariamente para, de certa forma, superar isso. Apesar de vivermos numa sociedade mais moderna, o preconceito é estrutural. É importante ter esse espaço para poder trocar uma ideia com as pessoas, de uma maneira mais próxima, sobre esses temas, que geralmente são bem polêmicos de se debater.

Deixe uma mensagem.

Eu acho importante que os jovens saibam a importância da empatia com o próximo. Tudo pode ser melhorado se pararmos para pensar a respeito disso, se exercemos essa empatia com o outro. É uma questão básica, mas que ainda penamos muito para exercer. E, também, deixar claro que todo sonho é possível de ser conquistado, independente da sua cor, gênero… Dificuldades a gente sempre vai ter, mas batalhando a gente consegue. Espero que curtam a entrevista e quero aproveitar para agradecer o carinho de todos.