Arthur Nory: um pódio olímpico só vem com investimento frequente e de longo prazo

Dia 14 de agosto de 2016. Arthur Nory chegava para a final do solo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro com a última vaga, depois de terminar a etapa classificatória em nono lugar e de herdar o posto dos japoneses, que já tinham a cota máxima de outros dois representantes. Aos 22 anos e sem favoritismo, o paulista de Campinas enfrentou veteranos na decisão. A arena do Parque Olímpico da Barra interrompeu o tradicional silêncio da prova masculina para embalar os movimentos do atleta da casa com gritos e aplausos. E a maior comemoração partiu dele mesmo: após finalizar a última sequência de saltos, Nory sorriu, agitou os braços, vibrou muito. Sabia que tinha cumprido a sua missão. Pouco tempo depois, a nota de 15.433 lhe renderia a inédita medalha de bronze olímpica, ao lado da prata de Diego Hypolito.

Nory tem como principais desafios, em 2019, o Pan de Lima, no Peru, e o Mundial de Stuttgart, na Alemanha. Foto: Abelardo Mendes Jr/ Ministério da Cidadania

Subir ao pódio dos Jogos, ver a bandeira do país tremular e receber uma medalha no peito são os grandes objetivos de qualquer atleta de alto rendimento. Tudo isso, no entanto, é resultado de uma construção de longo prazo, moldada em anos de treinos, esforço, dedicação e, também, de investimentos necessários para manter o atleta saudável e em atividade. Para Arthur Nory, o apoio que lhe ajudaria na conquista no Rio de Janeiro começou sete anos antes, ainda em 2009, quando o ginasta ingressou, pela primeira vez, no Bolsa Atleta, do governo federal.

“Eu não tinha nenhum patrocínio e o Bolsa Atleta estava ali para me apoiar, desde a minha formação, da categoria de base para a adulta, além do apoio do meu clube”, relembra Nory. Naquele ano e também em 2011 e 2012, o ginasta foi contemplado na categoria Internacional do programa. A partir de 2013, entrou para a mais alta, a Pódio. Ao todo, já foi beneficiado até hoje com R$ 454,4 mil.

“Esse apoio ajuda na minha recuperação, o que se reflete num melhor desenvolvimento dentro do treino. Posso ter uma alimentação melhor, e isso faz muita diferença quando você atinge o alto rendimento. Qualquer detalhe é somado para você conseguir um bom resultado”, conta. “Então uso na alimentação, no transporte, para vir até o clube, para ter toda essa segurança e manter o meu corpo inteiro e saudável, para buscar ajuda numa terapia ou na reabilitação quando volto de lesão”, acrescenta.

Tratar lesões, por sinal, foi uma rotina para ele nos últimos anos. Nas Olimpíadas, Nory já estava sentindo dores no ombro e no pé, que precisaram ser operados ainda no fim de 2016. “Foi um ano de remédios”, recorda-se. Em 2017, mais uma cirurgia no ombro. Mesmo diante das dificuldades inerentes ao esporte, ele acredita que o programa também funciona como incentivo para que os atletas se dediquem e busquem mais resultados. “Não é qualquer atleta que pode entrar. Você tem de ser medalhista em competições internacionais ou nacionais, dependendo do seu nível. Isso é uma motivação a mais para o atleta querer sempre melhorar e se manter entre os melhores”, pondera.

Além de todo o suporte para a parte esportiva, os recursos também já foram fundamentais do lado de fora dos ginásios. Em 2010, a casa em que Nory morava com os pais, em São Paulo, passou por um problema na fiação elétrica. “A gente ficou uns seis ou oito meses sem conseguir tomar banho em casa. Meus pais não tinham condições de arrumar”, conta. Os banhos, então, eram no clube ou de balde. “Minha irmã trabalhava e eu recebia o Bolsa Atleta e pelo clube. Juntamos dinheiro e conseguimos arrumar. Então desde aquela época já existia esse suporte para ajudar no meu dia a dia, na minha vida fora da ginástica, para ter uma condição melhor de vida”, ressalta Nory.

Fonte: Secretaria Especial do Esporte