Priscila Buiar fala de importância do LGBT na produção cultural

Com uma força cada vez maior no YouTube, as séries independentes estão se tornando uma grande febre entre os internautas, e o mais recente lançamento desse mercado é “Magenta”. Produzida pela Linha Produções, a história gira em torno de um triângulo amoroso que cerca Nina, Manuela e Raphaela. Depois de seis anos de relacionamento, Nina e Manu são surpreendidas por uma pessoa que coloca suas vidas de cabeça para baixo.

Em entrevista, a protagonista Priscila Buiar abre um pouco mais sobre os bastidores e realça a importância da temática LGBT na produção cultural. O elenco também conta com Giul Abreu, que ficou conhecida por protagonizar a série “Além de Alice” da mesma produtora.

Quando surgiu a oportunidade de integrarem o elenco de “Magenta”?
A oportunidade de integrar o elenco surgiu através de um post no facebook, em um dos muitos grupos de atores, elenco, cinema e etc, dos quais faço parte; justamente em busca de bons projetos e oportunidades.
A partir do anúncio — no qual buscavam uma atriz do meu perfil — enviei meu material, elas analisaram e me mandaram uma resposta dizendo que tinham gostado muito. Marcamos um café para nos conhecermos pessoalmente e elas me passarem detalhes do projeto, e daí pra frente você já sabe!
A série aborda a história de três amigas com uma temática LGBT. Qual é a importância de abordar essa tema na produção cultural?
Acho de extrema importância a temática LGBT na produção cultural, principalmente quando abordada por uma equipe toda feminina. A tv não aborda, ou aborda de maneira muito superficial esse tipo de temática – que diz respeito a realidade de tanta gente – , então nós não temos representatividade e nem profundidade nestes assuntos.
O que mais me interessou e me encantou em Magenta, foi que a estória não é sobre a descoberta da sexualidade, a atração por uma pessoa do mesmo sexo ou sobre “se assumir” para a família.
Magenta traz o cotidiano de um casal, um casal que se ama, que tem um longo relacionamento, que tem diz ruins, dias bons, crises, alegrias, e a aparição de uma terceira pessoa que pode transformar esse relacionamento. O fato delas serem homossexuais é apenas um detalhe na estória, que não interfere em absolutamente nada. A homossexualidade é abordada com naturalidade e maturidade; um movimento que já observo superado e muito a frente nas séries gringas do Netflix.
Ainda no início da série, como está sendo interpretar a Manuela e a Raphaela?
Interpretar a Manu foi um desafio. A série já havia sido gravada com uma outra atriz, então eu não tive o mesmo tempo de preparação e de interação que as outras atrizes. Tive pouco mais de duas semanas para me preparar, praticamente sozinha. Então não teve como fazer tudo com calma, ter receio ou ir aos poucos: ou eu “me jogava”, ou ficaria péssimo. Confiei na diretora, fiz muitas leituras, busquei muitas referências em filmes, entrevistei uma amiga professora de colegial para me inspirar em alguns questionamentos da Manu, e confiei na minha equipe. Todo mundo me acolheu de braços abertos, sempre tirando minhas dúvidas, dando toques, fazendo indicações de dinâmicas que já haviam sido criadas no primeiro trabalho.
Foi um processo intenso, mas que me fez crescer muito enquanto atriz e enquanto ser humano. Sou muito grata à minha diretora, que está sempre me guiando com muita paciência e humildade; e especialmente às minhas companheiras de cena: Beca e Giul, que seguraram minha mão a cada cena e foram dando um passo comigo de cada vez.
Quais são as expectativas de vocês para a série daqui pra frente?
Minhas expectativas são bem altas para a segunda temporada. Acho que o final da primeira abriu um leque de possibilidades muito interessante para as três personagens e eu, sinceramente, não tenho a mínima ideia do que pode acontecer daqui pra frente. Vai ser uma surpresa ler o próximo roteiro.
Acho também que as próprias fãs estão na expectativa da segunda temporada e do que pode vir pela frente, já que a última cena deixou um grande mistério e um gostinho de quero mais!
Fazer Magenta foi desafiador. Vou repetir um pouco a resposta anterior, mas é isso: ser atriz é se jogar. É confiar na sua equipe, no seu projeto, nos seus parceiros de cena e no ambiente que foi criado ali no Set. Não tem como fazer pela metade, não tem como fazer na sua zona de conforto.
Além do LGBT em si, o enredo conta a história do relacionamento entre a Nina e Manuela que é abalado pela Raphaela. Essa situação acontece muitas vezes na vida. O que pensam sobre esta situação?
Eu me entreguei durante os mais ou menos 15 dias que permanecemos gravando, praticamente 12 horas todos os dias. Dei o meu máximo nas cenas de emoção, que geram bastante desgaste emocional, me entreguei nas cenas de amor entre elas, que exigiam uma maior exibição física e, com isso, passar por cima da minha vergonha e do meu constrangimento pessoal. Eu busquei todos os dias sair da minha zona de conforto; desafiar-me e me experimentar como atriz. E me surpreendi com o quanto pude crescer nestes dias.
Deixem uma mensagem.
A mensagem que quero deixar é de agradecimento. Por essa entrevista, por ter a oportunidade de falar sobre o meu trabalho. Agradecer as meninas da Linha Produções por esse belo encontro, que me proporcionou aprender tanto desde que as conheci. E ao nosso público, que é o motivo pelo qual fazemos nosso trabalho. Obrigada!