Heslaine Vieira comenta sobre seu novo filme: “Derrapada”

Depois do sucesso de Malhação Viva a Diferença (2018) – que concorre ao Emmy Internacional Kids 2018 na categoria Séries – na qual interpretou a adolescente empoderada Ellen, a atriz Heslaine Vieira será protagonista do longa “Derrapada”. Com direção de Pedro Amorim, o filme conta a história de Samuca, vivido pelo ator também protagonista Matheus Costa e sua namorada, Alicia (Heslaine Vieira).

A trama retrata a dificuldade e os desafios de uma gravidez não planejada ainda na adolescência, tendo que enfrentar novas responsabilidades e o relacionamento com as famílias.

Com previsão de estreia para 2020, o filme ainda conta com a participação do ator Luís Miranda, que será o pai de Heslaine na ficção.

Além desse projeto, a atriz espera o resultado do Emmy Internacional Kids 2018, que acontecerá em uma cerimônia em Cannes, na França, no dia 9 de abril de 2019. Além disso, em julho, aparecerá em Os Parças 2, filme com Tom Cavalcante e Whindersson Nunes.

Como foi seu começo no teatro?

Comecei muito pequena fazendo teatro e circo com um grupo chamado “Farroupilha” na minha cidade natal, Ipatinga-MG, junto com meu irmão, Land Vieira.
Nós mudamos para o Rio de Janeiro em busca dos nossos sonhos. Desde então, começamos a estudar mais propriamente televisão e cinema com a querida Andrea Avancini já aqui no Rio de Janeiro.

Como anda a sua preparação para estrela no longa “Derrapada”?

Todo trabalho novo é uma conquista empolgante, envolve muito esforço, correria e amor. A Estrela, é magnífica porque me apresentou ” O método” de Lee Strasbourg, que é uma outra forma de fazer meu trabalho. Então eu o Matheus Costa estamos experimentando. Mergulhamos nesse projeto de cabeça e posso dizer que sou 100% dedicada. Estudei a fundo sobre a personagem, fiz vivências com a barriga de grávida, dormi, saí para tentar entender o mais próximo possível o que é estar grávida e cuidar de um bebê.

Falando sobre o enredo do filme, ele aborda o drama vivido pela gravidez na adolescência. Qual a importância de passar esse tema para o público?

Existe um tabu muito grande relacionado a gravidez na adolescência. Essas meninas se veem sozinhas na maioria das vezes e veem o bebê como o fim dos sonhos, além de uma responsabilidade muito grande chegando tão cedo.

Para essa menina especialmente, é mais que um susto. A posição que ela ocupa na sociedade, mesmo sendo de classe média, faz com que a responsabilidade da gravidez pese duas vezes mais em suas costas.

Com pais advogados, que lutaram para chegar a esse lugar e traçaram um futuro para ela, é como se ela estivesse jogando fora uma oportunidade na vida que outras meninas e mulheres como ela talvez nunca tenham. É bem sério, e a discussão aponta bem sobre ter ou não o bebê estar relacionado com a decisão DELA. Com o corpo dela e as consequências que elas trarão. Isso tudo sob o ponto de vista do Samuca que também é adolescente e namora a Alicia. O filme é bem justo com a relação entre eles dois, as dificuldades e prazeres de serem pais, tão jovens. Além da possibilidade de um novo começo, já que como dizia minha avó ” gravidez não é doença e com amor, as coisas difíceis se resolvem”.

Como está sendo sua preparação para viver a personagem Alicia?

Toda mulher negra se reconhece. A Alicia pode ter nascido numa família de pessoas que já lutaram e são advogados, mas eu conheço a luta, ela existe, ela é nossa, é minha, dela e de milhares de pessoas. É como se em nossas diferenças nos completássemos. Ela é do Slam e eu vi o slam através dos amigos. Ela é de ocupação e eu tenho um grande amigo que ocupou sua escola em 2016. Ela é feminista, empoderada, é doce, forte, ela me inspira. Eu amo interpretá-la. Tudo que existe nela que eu não tinha em mim, agora eu tenho por causa de Alicia..

A Estrela soube bem me direcionar para lembrar de uns anos atrás e trazer para o corpo o humano, o frescor com tudo isso que a Alicia tem.

Conte-nos um pouco sobre o trabalho com o diretor Pedro Amorim.

O Pedro é uma lenda do cinema, um doce de pessoa. É prazeroso trabalhar ao lado dele que é tão sensível. É uma honra, presente ter sido escolhida para ser sua Alicia nesse novo filme. Estou tentando absorver tudo que posso desse trabalho com ele, é um conhecimento único que vou levar para vida.

Na espera pelo resultado do Emmy Internacional Kids 2019, quais são suas expectativas para esse prêmio?

Estou muito ansiosa, acho que Malhação: Viva a Diferença foi diferente, irreverente, verdadeira. Quebrou tabus, apresentou cinco protagonistas mulheres, diferentes entre si, de diferentes polos da cidade de São Paulo, com classes sociais, preconceitos e amores diferentes. Espero que esse trabalho lindo que colocou na TV tanta representatividade seja reconhecido pelo Emmy, não que vá mudar todo esse carinho que o público já tem pela temporada, mas trazer para o Brasil seria um marco. O Cao e o Paulo Silvestre fizeram a diferença nesse projeto.

Previsto para estreitar em julho desse ano, como foi participar de “Os Parças 2” com Whindersson Nunes e Tom Cavalcante?

Trabalhar com dois gênios da comédia foi incrível. É um trabalho completamente diferente do filme Derrapada e de todos os últimos que tenho participado. Ao contrário do que muitos dizem, muito mais difícil para a pessoa Heslaine. Admiro muito quem faz e faz muito bem. Gosto muito de comédia, e espero ter a oportunidade de trabalhar com isso outras vezes.