A Força das Mulheres na Engenharia

As mulheres estão cada vez se superando na luta pelos seus direitos e pela igualdade entre os sexos nas questões sociais e trabalhistas como salário, empregos e oportunidades. Na maioria das vezes, as profissões sofrem uma segmentação onde em uma grande maioria se encontram mais pessoas do sexo feminino como a pedagogia, babysiter e costureiras, enquanto homens dominam as grandes indústrias, construção civil e o campo aeronáutico.

O preconceito machista na profissão já começa desde a formação, como é o caso da estudante Fernanda Macedo, do oitavo período de engenharia de produção, que logo no início enfrentou as barreiras da grande massa masculina do curso. Com o desejo de seguir carreira em algo que fizesse a diferença na vida das pessoas, Fernanda optou pelo curso de engenharia, porém teve que adiá-lo para entrar no mercado de trabalho ainda sem ensino superior, sendo mãe ainda nova, e somente 10 anos depois correu atrás de sua formação.

As críticas começavam a desafiá-la desde o momento da decisão. Muitos afirmavam que para a mulher, a engenharia não era um mercado de trabalho abrangente, cabendo aos homens a preferência no mercado de trabalho, fato que a fez optar pela engenharia de produção ao invés da civil. Se apaixonou pela engenharia ambiental, aumentando ainda mais o seu leque de caminhos.

Em relação a sua experiência, Fernanda conta que em algumas seleções para vagas, as mulheres ainda costumam ser selecionadas para trabalhos em escritórios, e que as empresas ainda acreditam que as mulheres trabalhando em fábrica realizando gestão de mão de obra, não mostrem liderança em relação aos outros homens. Felizmente a questão do apoio em família é o que não falta, Fernanda é motivo de orgulho tanto para o marido como para o filho que fala: “a minha mãe vai ser engenheira”. Só alguns mais velhos afirmam ser difícil, mais nunca desanimam.

A respeito da importância da inclusão do gênero feminino na profissão, a estudante diz: “É muito importante porque não é o gênero que vai influenciar a capacidade da pessoa. Em qual for a profissão, é importante sim ter mais mulheres, e elas precisam saber que podem e tem capacidade, e que é muito bom que agora com a tecnologia, muitas mulheres estão tomando a frente e tão metendo o nariz nas profissões. Hoje em dia vemos ajudante de obras, pedreiras, e eu tenho orgulho dessas mulheres. Acabamos abrindo mais o mercado, oferecendo mais funcionárias femininas, fazendo com que ele acabe absorvendo essas profissionais que estão se formando”.

O equilíbrio de gêneros nessa profissão se concretizará quando a determinação para a escolha do profissional se der pelo desempenho de um bom trabalho e que a única dependência seja a capacidade técnica, a habilidade de saber desenvolver o seu serviço bem, independente do sexo.

Exemplos como esse da Fernanda, só nos mostra o quanto a força feminina pode tomar o seu lugar na sociedade, pois muitas outras profissões ainda estão com um grande foco somente em homens, como é o caso de bombeiros, políticos, mecânicos, motoristas, sendo essa última uma questão ainda mais surpreendente.  Nos Estados Unidos, por exemplo, de acordo com uma publicação da Editora Abril, foi revelado que na Uber americana, somente 14% dos 160 mil motoristas são mulheres.

*Escrito para o jornal da Universidade Estácio de Sá.