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O atacante Luiggi Longo, 24 anos, atua no futsal e já foi eleito artilheiro e melhor jogador do campeonato carioca, em 2020. Prêmios esses conquistados por ele ao levar o Madureira/Celso Lisboa a final da competição. Atualmente joga no Nyírgyulaj, equipe  Húngara de futsal masculino, mas antes disso, já havia vestido camisas de outros clubes importantes como: Portuguesa RJ e Botafogo, lá no início da sua trajetória profissional, que foi nos gramados.

Em entrevista, o atleta nos contou todos os detalhes de como alcançou o sucesso na carreira futebolística, bem como as tomadas de decisões que fizeram parte dessa caminhada, a começar pela sua entrega ao rendimento físico que só um esporte de alto nível requer, em sua vida. Durante o descontraído papo, Luiggi revelou também que já atuou até como goleiro e, segundo ele, igualmente dava muito bem conta do recado. Além disso, abordamos assuntos pertinentes na ocasião, entre eles:  de modo geral, o processo de transição das categorias de base ao time profissional, alimentação e cotidiano de um esportista, a paralisação das atividades pela pandemia. Entre outros assuntos. Confira!

Na sua trajetória no futebol, você já foi condecorado com diversos títulos de importância no futebol brasileiro. Durante esse tempo, o que foi determinante no início da sua carreira profissional e como usufruir disso hoje?

Muitos fatores são determinantes na vida de um atleta e é um assunto muito longo para ser abordado, mas em minha opinião existem três fatores muito importantes na vida de um atleta dentre eles são: a renúncia, a resiliência e a perseverança. Desde muito jovem o atleta aprende que para toda conquista requer sacrifícios e esforços diários e é nesse ponto que vem a renúncia, que muitas vezes o atleta tem a necessidade de sua condição física integra para que ele possa desenvolver o seu melhor no esporte e com isso, muitas vezes, ele abdica de muitas coisas como fast-foods, festas, uma noite jogando vídeo game ou assistindo filmes e séries, praia, shopping, viagens, entre outras coisas porque ele sabe que no dia seguinte ele tem a responsabilidade de desempenhar o seu melhor em uma partida. O segundo ponto é a resiliência, a capacidade essencial que o atleta tem que ter de reverter às situações adversas, é a capacidade de se reerguer após uma derrota, é se levantar após queda, é seguir em frente depois de uma resposta negativa, enfim, entre muitas outras coisas e por último a perseverança e essa virtude se resume em não desistir nunca, independente de qualquer resultado, qualquer resposta, qualquer situação, qualquer adversidade, é nunca desistir, nunca se entregar para a derrota ou o fracasso.

O futsal feminino vem conquistando seu espaço tanto nas escolas, federações cariocas e, torneios de quadra no Brasil e no mundo. No entanto, há quem diga que o nível técnico e competitivo não é o mesmo do masculino, qual sua opinião a respeito?

Infelizmente ainda vivemos em uma sociedade muito machista, ainda que indiretamente o machismo esteja enraizado no coração do ser humano, algo que discordo completamente, assim como o racismo, homofobia, entre outros, todo ser humano deveria ter os direitos iguais em qualquer âmbito profissional ou da vida. Mas falando sobre o futebol, a capacidade técnica, mental e tática para ambos os gêneros são iguais, mas o problema é que o investimento, de fato não é como no futebol masculino que há todo um suporte profissional e financeiro para o alto rendimento do atleta. Eu tenho alguns exemplos presentes em minha vida e um é que na minha equipe de Sub 11 tenho duas meninas em meu elenco e dou a todos as mesmas condições técnicas e táticas de treinamento e elas desenvolvem tudo o que se é proposto até melhor que os meninos e o outro exemplo é uma amiga minha Veronica(meia do Botafogo) que é super craque, é gênia jogando futebol, tem uma visão de jogo que poucos no futebol masculino tem, a AnaBê (goleira de BeachSoccer do Flamengo), goleiraça, alta, ágil, pagadora de pênalti, a Diany (volante do Corinthians) uma jogadora muito técnica e inteligente, Byanca Brasil (ex Internacional) uma habilidade fora do normal, entre outras atletas que poderia ficar até amanhã falando, então a grande questão é proporcionar direitos iguais para ambos os gêneros, o problema não está nas mulheres e sim no machismo ainda que oculto no coração da sociedade, mulher pode ser o que ela quiser, pode alcançar qualquer patamar na sociedade.

A equipe do Madureira/Celso Lisboa acabou sendo derrotada pela Portuguesa RJ na final do carioca, disputada no ano passado. Tendo dito isso, o que faltou para sua equipe ter saído vitoriosa nesse confronto?

Um jogo de alto nível ele é decidido nos pequenos detalhes e a equipe da Portuguesa soube aproveitar nossas poucas falhas, mas que foram decisivas para o resultado final. Fizemos o nosso melhor daquilo que estava proposto, mas com dois pequenos erros de marcação a Portuguesa foi fatal nesses dois momentos somando-se a uma tarde inspirada pelo goleiro Rubão que defendeu muitos ataques do alto risco contra sua meta. Mas a nossa equipe fez uma grande campanha gerida pelo Ricardo Velloso, Marcelo Crespo, Royter e João, fiquei muito feliz e satisfeito por chegar a final e toda equipe desempenhando um bom futsal e representando muito bem o Rio de Janeiro.

Desde o começo da pandemia do novo coronavírus, as atividades esportivas profissionais sofreram restrições no mundo inteiro e em diversos desportes. Como isso o afetou e o que acha que mais devemos ter aprendido com essa experiência?

Sem dúvidas foi um período muito difícil para todos os atletas e não foi fácil com muitas restrições, manter os treinamentos e as atividades físicas de alto rendimento, mas consegui com muito esforço e dedicação, manter a minha grade de treinamentos, mas é claro de uma forma totalmente diferente, totalmente restritiva.

Você atua desde novo como atacante em diversos clubes como o Itararé, Portuguesa e Gonçalense. Qual acredita ter sido o momento mais marcante que viveu no campo?

Houve dois momentos que foram mais marcantes em minha vida na trajetória no campo e a primeira foi na Portuguesa. O natural do ser humano é sempre querer tudo do bom e do melhor e sempre com as melhores condições, só que para toda coisa boa que a pessoa quer conquistar, ela passa pelos momentos mais difíceis da sua vida, mas que são necessários para o seu crescimento pessoal. Quando conquista o tão sonhado degrau que galgou a pessoa valoriza ainda mais as suas conquistas e todo o esforço que foi gerado no passado foi quando cheguei no Botafogo em 2016 que vivi tudo o que uma criança sonha em viver que é jogar no Maracanã lotado com aproximadamente 60 mil pessoas é algo muito além dessas poucas palavras, é um momento sublime que as palavras não expressam o tão grande sentimento.

Por ser jovem, precisou se esforçar para conquistar espaço no futebol? A idade é um fator que interfere no futebol?

Muito. Eu acho que é um fator que tem sim um peso influenciador, quando se chega no profissional é um jogo completamente diferente das categorias de base. A idade interfere porque normalmente o jovem que acaba de chegar à categoria adulta não tem o nível de experiência que muitos já têm e isso o faz se precipitar em diversos momentos do jogo, por isso a importância do garoto subir com humildade para escutar os que já têm muita vivência e experiência na categoria adulta para que sua evolução profissional ocorra de forma mais rápida e ele possa conquistar o seu espaço no profissional com mais facilidade, porém o ser jovem na categoria adulta tem um lado negativo porque são poucos os treinadores que dão oportunidade para os jovens atletas, normalmente não tem muita paciência para corrigir e dar oportunidade para eles que tem um grande potencial.

Como concilia os estudos com o futebol? A um apoio de pessoas próximas que te ajudam a crescer?

É um esforço necessário que tem que fazer, um dia ficarei mais velho e minhas condições físicas não me permitirão jogar mais em alto rendimento, isso é normal e é um ciclo da vida. Tenho a minha esposa que é meu alicerce principal que me dá todo o suporte necessário para que eu possa crescer na vida.

É comum em muitos atletas que os cuidados físicos e alimentares abrangem muito a rotina de preparo. Quais são os seus maiores cuidados em relação a esses requisitos e como é o seu dia a dia?

Para tudo o que se quer conquistar na vida requer um esforço e a vida de um atleta não se resume em treinos e jogos, vai muito, além disso. É necessário sim uma boa alimentação e descanso, até porque a ferramenta de trabalho do atleta é seu próprio corpo. Costumo a dormir e acordar cedo, me alimentar de 3 em 3 horas com alimentos saudáveis, não tomo refrigerante, nem bebidas alcoólicas, somente em uma refeição do final de semana que espero para comer algo diferente do meu costume, mas nada muito exagerado sempre com moderação.

A carreira no futebol costuma ser o desejo de muitos meninos desde a infância, mas nem todos a alcançam, como foi o seu encaminhamento para se tornar um jogador profissional?

Meu início foi um pouco diferente, eu comecei como goleiro e agarrava muito bem e fazia o goleiro linha porque jogava muito bem com os pés, mas chegou um momento que as boladas começaram a doer mais hahaha e meu treinador já queria fazer minha transição para jogador de linha, foi uma boa transição e me adaptei muito bem como jogador. Na minha infância eu tive muita dificuldade porque eu era muito franzino, a força física me restringia de muitas coisas, então eu treinava para ser mais habilidoso e dava meu máximo para o meu crescimento, só que eu entrei na puberdade muito tarde e isso me atrapalhava. Na minha adolescência eu continuava com um passo atrás no quesito força físico, mas tinha um passo a frente nas habilidades, não era fácil, mas conseguia me destacar nos dribles foi assim que fui me destacando até chegar no profissional.

Recentemente você foi convocado para a Seleção Brasileira de Fut7, qual o sentimento de ter alcançado esse reconhecimento e posição no esporte?

A verdade é que é algo que sempre sonhamos, mas nunca pensamos em vivenciar momentos como esse, eu de fato não estava esperando por ser convocado, fui pego de surpresa. Mas o maior sentimento que transborda no coração, é a gratidão, porque a pessoa olha para trás e vê tudo o que passou pra chegar até ali e quando chega esse momento é uma sensação de que todo o esforço valeu a pena, cada treino, cada lágrima, cada suor, cada minuto, todo o esforço gerado em anos valeu a pena, é um sentimento muito grande de gratidão.

Sobre o autor:

Editor-Chefe | Entrevistador | + posts

Luca Rocha Moreira, mais conhecido como Luca Moreira, é um jornalista, escritor e entrevistador internacional brasileiro. Conhecido por suas entrevistas com mais de 500 personalidades em cinco países diferentes em seus primeiros três anos de carreira. É autor do livro "300 Histórias para Inspirar".

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