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Os filtros do Instagram são a nova moda entre famosos e anônimos. Tem dos mais variados tipos e os mais utilizados são os que mudam o aspecto da pele e os traços do rosto, deixando um aspecto de “pele perfeita”.

O dermatologista Fábio Gontijo revelou que alguns pacientes já chegaram a pedir para que ele fizesse procedimentos estéticos utilizando como base os filtros do Instagram. O médico alertou também sobre os perigos que o padrão de beleza na internet pode trazer. Confira a entrevista!

É indiscutível que os filtros utilizados nas redes sociais são uma verdadeira forma das pessoas se divertirem ao publicarem vídeo e fotos, porém até que ponto essa ferramenta passa a se tornar algo nocivo para seus usuários?

Os filtros podem ser excelentes ferramentas para serem utilizadas como diversão, porém o problema ocorre quando o uso se torna excessivo e a pessoa passa a não se reconhecer mais como é realmente.

Um dos filtros mais utilizados pelo público é os que usam da inteligência artificial para proporcionar um aspecto de “pele perfeita” que possibilita rejuvenescimentos e retirada de imperfeições artificiais. Como dermatologista você chega a observar uma grande necessidade de dependência nas pessoas querer desviar de suas próprias aparências de forma a desgostarem delas?

Na verdade, a busca pelo “belo” remonta os tempos mais remotos. É natural que as pessoas queiram parecer com a pele descansada, terem lábios com mais vitalidade. Porém, existe um limite para tudo isso, e este limite é rompido quando o paciente passa a não se aceitar mais da forma como é.

Foto: Divulgação

Durante seus anos de experiência em uma especialização médica que está ligada diretamente ao tratamento de aparências, quais foram as histórias mais bizarras que acredita ter visto em relação às aparências?

É difícil responder esta pergunta, pois por trás de toda queixa de um paciente existe sempre uma dor que deve ser considerada, por mais supérflua que possa parecer num primeiro olhar.

Mesmo não trabalhando na área de psicologia, você acreditaria que o efeito ilusório que a aplicação em massa desses filtros apresenta, pode ser considerado um gatilho para a depressão, uma vez que seus efeitos não são permanentes e se aplicam apenas nas telas?

Sem dúvidas! Devemos lembrar que os filtros estão disponíveis também para adolescentes e crianças em formação. Além disso, essa ferramenta pode surgir para alguém que está passando por um momento difícil e se tornar uma “muleta”, nem sempre benéfica.

Em um depoimento que você deu, foi revelado que alguns pacientes já chegaram ao ponto de pedirem para ficarem iguais aos resultados dos filtros, com articulações e mandíbulas perfeitas, e etc. Você já chegou a realizar algum tipo de procedimento desse tipo, ou costuma tentar desestimular esse tipo de atendimento?

Após uma longa conversa, tento sempre entender o que está se passando na cabeça dos meus pacientes. Geralmente, não basta corrigir a imperfeição, pois quando a questão é da mente, certamente o paciente encontrará problemas em outra área. Nestes casos, é melhor desestimular o tratamento.

Foto: Divulgação

Nos momentos atuais, ainda mais com o avanço das possibilidades das redes sociais, muitas coisas passaram a valerem como “moedas” de status sociais, por assim dizer. Essas moedas são números de seguidores, curtidas e em casos mais sérios, os padrões e desejos de consumo que são compartilhados pelos blogueiros e outras contas que se interagem. Como as pessoas conseguem evitar esse tipo de desvios e com qual frequência se ouve falar sobre isso na dermatologia?

Uma boa criação, associada a valores sólidos de personalidade em geral são importantes para que as pessoas não confundam sua personalidade com a de quem admiram. A formação na faculdade de medicina facilita bastante esse tipo de compreensão, pois estudamos muito a mente e seu funcionamento durante o curso.

Durante os últimos anos, muitos casos de mortes no meio da estética e complicações relacionadas ao limite das transformações em procedimentos têm aumentado. Qual é a sua visão à respeito desse assunto?

Atualmente, temos visto uma popularização de procedimentos médicos, muitas vezes cirúrgicos, sendo realizados por profissionais não qualificados. A capacitação, o treinamento de técnicas e uma formação sólida são fundamentais para um bom exercício da medicina.

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