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Em um mundo repleto de máscaras e superficialidade, o ser humano tenta a todo custo se moldar de uma forma que se encaixe em padrões que outros estabeleceram. Essa prática gera um abandono e infelicidade capazes de nos afogar em um oceano de tristeza. Para tentar minimizar o impacto dessas mazelas do mundo, o Mestre em Reiki e Karuna Reiki lança o segundo livro de sua coleção “Janelas da Alma” que nos dá dicas rápidas e práticas de como encontrarmos e aceitarmos tudo o que faz parte do nosso ser sem darmos ouvidos ao que a sociedade julga como melhor, mais bonita ou “da moda”.

Luís A. Delgado é Mestre em Reiki e Karuna Reiki. Estudioso de temas ligados a meditação, autoconhecimento e espiritualidade. Foi ganhador do prêmio “Personalidade 2015” na categoria Arte Literária pela Academia de Artes de Cabo Frio-RJ – ARTPOP e agraciado com o prêmio Clarice Lispector de Literatura na categoria “Melhores Romancistas” pela Editora Comunicação em 2015. Também é sócio correspondente na Associação dos Diplomados da Academia Brasileira de Letras.

Autor de 7 livros lançados no Brasil e Europa, Luís lança sua série de livretos sobre temas relacionados a bem-estar e comportamento de forma independente.

No mundo em que vivemos, as pessoas estão cada vez mais buscando viver um padrão específico de vida que é pré-determinado a partir das outras pessoas. Por que você acha que a sociedade é tão suscetível a querer viver como alguém que teoricamente não é ela mesma?

Em parte, por medo do sofrimento. Não sabemos a extensão da nossa sinceridade, o quanto ela pode machucar até aqueles que amamos. Então, torna-se mais cômodo imitar uma postura que funcionou para outra pessoa, pois acreditamos que também funcionará conosco. Embora não haja garantia alguma. Isso mostra o nosso medo do amanhã, do desconhecido, o que nos faz projetarmos a nossa confiança nos outros, nos objetos, nos sonhos e discursos, ao invés de nos voltarmos para nós mesmos, com uma atitude direcionada a descobrir e assumir quem somos, em busca da nossa verdade interior. E o incrível é que fugimos dessa descoberta por medo de sofrer, embora essa fuga seja muito mais dolorosa.

Foto: Divulgação

Olhando superficialmente algumas pesquisas publicadas, uma das doenças que mais se resultam da infelicidade é a depressão. O seu livro “Não há espelhos no jardim, floresça para si mesma”, da série “Janelas da Alma”, fala exatamente sobre a autoaceitação. A partir de que ponto você percebeu que as pessoas estavam precisando ser alertadas sobre si próprias?

Há uma grande onda de mensagens motivacionais na Internet hoje. Muitas delas são bacanas de verdade. No entanto, em meio a todo esse discurso, a essa conversa sobre alta performance, melhor versão de si mesmo, esquece-se de que não somos máquinas, de que a vida não é uma competição, de que cada pessoa é de um jeito. Criar a ideia de que alguém precisa melhorar leva, muitas vezes, uma pessoa a acreditar que “agora” ela não é boa o suficiente, e o perfeccionismo começa… É tudo muito dinâmico, e os detalhes importantes estão passando despercebidos. Academicamente, profissionalmente, podemos adquirir novos conhecimentos, construir uma carreira, ganhar experiência; porém, como seres humanos, não temos “versões”, não abandonamos o que somos. O que fazemos é aceitar os nossos conteúdos psicológicos para que possam ser transformados. Precisamos reorientar urgentemente a busca do “tornar-me alguém que não sou” para o “descobrir quem sou”. Só nessa autoestima, onde não há escolha, onde aceitamos tudo o que nos compõe, podemos começar a criar um caminho para fora de tanta dor e sofrimento. Se eu me aceito, eu também aceito o outro e o mundo.

Um requisito que faz com que as pessoas queiram mudar suas vidas de forma “compulsiva” e “aceleradamente” são as tendências que apontam os padrões de beleza, convivência e consumo. A existência dessas caracterizações humanas tem que ser vista necessariamente como uma vilã ou ela pode ser interpretada de diferentes maneiras?

Algo mais que podemos superar, psicologicamente, é a ideia de um culpado em tudo. A culpa não nos mostra um caminho pacífico de forma alguma. O mundo é o que somos, é a nossa expressão, e é da nossa responsabilidade também. Por tudo o que vivi dentro da Meditação e do Reiki, percebo que a chave está dentro de nós. Não é sobre controlar o outro, mas sobre cada um de nós expandir a consciência, de forma leve, um passo de cada vez. Assim, uma nova existência se descortinará diante dos nossos olhos, o mundo responderá consequentemente. É sobre com que “olhos” nós vemos a vida.

Nas ocasiões em que nossas mentes possam armar essas “armadilhas” de tentações com a gente, quais são os próximos passos que você acredita serem eficazes para recuperarem a autoestima novamente?

Não podemos perder de vista que a ideia de sermos perfeitos do jeito que somos não entra em conflito com a busca de conhecimento, com manifestarmos a nossa criatividade. No momento em que sentimos inveja, raiva, ou qualquer outra emoção desconfortável, não significa que nos tornamos piores que alguém. Nesses instantes, devemos aceitar a nossa inveja, por exemplo, que não passa de um desequilíbrio. Mas, se a rejeitamos, então ela se torna inconsciente e continua agindo sobre nós. É preciso olhar com clareza e honestidade os nossos desejos, aquilo que almejamos e até as ideias que construímos e que os outros constroem acerca de quem somos.

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Como foi que o Reiki chegou até a sua vida, e como foi que ele te transformou?

Eu passava por um tratamento de ansiedade e fobia social, com psiquiatra e psicólogos. A medicação havia cumprido o seu papel, no entanto chegamos a um impasse, pois a psiquiatra e eu não conseguíamos tirar os remédios, fizemos algumas tentativas, mas eu sempre voltava a eles. Eu tentei diferentes terapias, até que me indicaram o Reiki. Na primeira sessão, eu senti algo muito forte na volta para casa de ônibus. Era a mesma paisagem de anos, mas soava diferente. Descobri que algo em mim havia mudado. Uma semana depois, passei por mais uma sessão e decidi fazer o curso e me tornar um reikiano. Daí em diante, comecei a me aplicar Reiki diariamente. Acabei mudando da psiquiatra para um neurologista, e fizemos uma nova tentativa para tirar os remédios. Não foi fácil, mas eu percebia que as aplicações de Reiki me harmonizavam de modo que eu pude suportar a transição, na qual meu sono era muito alterado, até que tudo se regularizou e eu finalmente encerrei o ciclo dos medicamentos de uma forma saudável e com acompanhamento.

Muitas pessoas que não são tão ligadas ao espiritismo e autoconhecimento passam a crer menos nas soluções que esses mundos nos proporcionam, e passam a acreditar em acontecimentos físicos apenas. Como você entende essa situação?

Um materialismo extremo está ao lado de um espiritualismo extremo. A dúvida é muito importante em qualquer caminho, e a Espiritualidade não pode abandonar a Ciência em hipótese alguma. O que me parece saudável é o meio do caminho. Contudo, algumas pessoas chegam a esse equilíbrio só após vivenciarem um ou os dois extremos da coisa.

Voltando a comentar sobre o seu segundo livro, o que pode nos contar sobre “Não há espelhos no jardim, floresça para si mesma”, e que tipo de mensagem você está esperando passar para os leitores?

Usando a metáfora de um jardim, a obra leva o leitor a um reexame das relações que tem com o que sente e pensa de si mesmo. O primeiro livro da série se chama “Tudo o que você precisa aprender para começar a meditar”, mas a meditação aumenta a nossa consciência. E o que vem a partir daí? É do que se trata a sequência. Tento passar às pessoas o que é Autoconhecimento e Espiritualidade na prática, estou dizendo a elas que descobrir-se não é assustador, e que aceitar-se é transformar-se. De uma forma leve, os capítulos vão fazendo comparações entre a flor e a consciência, brinco com os comportamentos de um gato e de uma borboleta para exemplificar que não há apenas um caminho e que você tem de encontrar o seu jeito. É mostrar como o Autoconhecimento pode ser prazeroso também e sempre será libertador. Espero de verdade que as pessoas possam abrir seus olhos para uma vida mais leve, menos ansiosa e encontrem dentro disso a sua própria independência, o seu jeito único e belo de ser, fora de perfeccionismos que trazem tanta dor.

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O cuidar da mente é sinônimo de auxiliar nossa própria alma. Como um mestre em Reiki e estudioso nesse sistema, para quem você realmente indicaria o tratamento e a Meditação?

Indicaria para todas as pessoas, uma vez que ambos não possuem contraindicações. Vale lembrar que essas são terapias integrativas, complementares, o que significa que não substituem tratamentos médicos convencionais, apenas se somam a eles e agem em paralelo. A Meditação nos leva a enxergar com mais clareza os nossos processos mentais, os movimentos dos nossos sentimentos e como isso nos afeta. Essa clareza é fundamental, porque nesse entendimento a ansiedade vai se reduzindo e nós vamos mudando com calma, ao longo de um caminho. Agora, se a pessoa está em uma situação extremamente difícil e não consegue sequer parar por dois minutos para meditar, então aconselho o Reiki. Alguém pode aplicar Reiki em você, mas ninguém pode meditar no seu lugar. E a energia Reiki nos leva a um estado de harmonização onde encontramos força e calma para uma transformação emocional. Portanto, numa situação mais difícil e imediata, é mais indicado. De qualquer forma aconselho ambos, mesmo que inicialmente não se tenha condições de experimentar ao mesmo tempo esses dois caminhos que são tão positivos para a nossa saúde emocional.

A respeito das pessoas que já se submeteram fortemente a uma vida de superficialidades, acredita que essas pessoas possam ser salvas delas mesmas? Qual é o primeiro passo para aceitar que é preciso voltar a ser você mesmo?

Essa é a história de todos nós. Todo mundo já abandonou a sua essência em algum momento em troca da superfície. Há muitos modos de corromper, sobretudo a si mesmo. Entender que não merecemos qualquer tipo de sofrimento, e que sofremos muitas vezes por escolhas que fazemos, são parte desse primeiro passo. Sofrer nos acorda, de certo modo. Poderíamos despertar para a vida de outro jeito, mas às vezes é do jeito difícil que acontece. Quando tomamos consciência desses muitos sofrimentos, então podemos ouvir o coração, podemos nos lembrar de que somos muito maiores do que as nossas dores, de que a transformação está em nossas mãos. Quem opta pela felicidade depois disso, já deu o segundo passo e se voltou para a sua essência. E a vida não abandona quem persegue a sua verdade individual. Há muitas forças dentro e fora de nós que nos ajudam nessa caminhada, porque essa é realização verdadeira de todo ser humano. Basta ouvir os inúmeros depoimentos de pessoas que saíram de dias terríveis em busca da felicidade e receberam ajuda de onde menos se esperava, de como tudo foi se encaixando ao longo do tempo. De alguma forma, estamos todos em direção à felicidade, pelos mais variados caminhos…

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